ORIENTE MÉDIO

Guerra entra no 12º dia: Israel concentra ataques no Líbano e retaliação iraniana foca em alvos econômicos no Golfo

Novo líder iraniano foi atingido mas não corre risco de morte

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Navios comerciais são vistos ao largo de Dubai em 11 de março de 2026. Novos ataques atingiram três navios comerciais no Golfo em 11 de março, com um deles em chamas, enquanto o Irã intensificava sua campanha contra seus vizinhos exportadores de petróleo, ameaçando a navegação no Estreito de Ormuz e mergulhando a economia energética global em crise
Navios comerciais são vistos ao largo de Dubai em 11 de março de 2026. Novos ataques atingiram três navios comerciais no Golfo em 11 de março, com um deles em chamas, enquanto o Irã intensificava sua campanha contra seus vizinhos exportadores de petróleo, ameaçando a navegação no Estreito de Ormuz e mergulhando a economia energética global em crise | Crédito: AFP

Israel continua lançando ataques aéreos contra o Líbano e emitiu, nesta quarta (11), ordens de deslocamento forçado para pessoas no sul do país. Pelo menos 21 pessoas foram mortas. O Hezbollah afirma ter atacado posições do exército israelense no sul do Líbano, à medida que os combates em terra se intensificam.

Em seu balanço mais recente, o governo libanês informa que 570 pessoas morreram nos bombardeios israelenses desde o início da ofensiva, incluindo 86 crianças.

A guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã entrou em seu 12º dia, com Teerã afirmando que quase 10 mil alvos civis no país foram bombardeados e mais de 1,3 mil pessoas morreram.

Alvos iranianos, incluindo o aeroporto Mehrabad de Teerã, foram bombardeados na noite de terça-feira, enquanto Teerã continuou seus ataques retaliatórios contra Israel e alvos dos EUA na região do Golfo, causando um aumento nos preços globais da energia.

Amir Saeid Iravani, embaixador do Irã na ONU, acusou os EUA e Israel de atacarem deliberadamente infraestruturas civis, incluindo residências e instalações de saúde. Os EUA haviam alertado que a terça-feira (10) seria o dia de ataques mais pesados contra a capital iraniana desde o início dos ataques.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que a chamada “chuva negra” — precipitação contaminada por poluentes — pode representar riscos à saúde após ataques a depósitos de combustível no Irã. A densa fumaça gerada por incêndios em instalações petrolíferas, inclusive na capital Teerã, misturou-se às nuvens carregadas de chuva, resultando em precipitação contaminada por substâncias tóxicas liberadas durante a queima de combustíveis.

Retaliações iranianas

A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) lançou nesta quarta outra onda de ataques, a 37ª desde o início dos combates, disparando mísseis superpesados ​​”Khoramshahr” por mais de três horas. Os ataques tiveram como alvo locais israelenses, incluindo Tel Aviv, Haifa e Jerusalém Ocidental, bem como bases americanas em Erbil, no Iraque, Manama e no Bahrein.

O Irã afirma que bombardeou bases dos EUA no Kwait e os Emirados Árabes Unidos (EAU) dfisseram que suas defesas aéreas estão respondendo a uma nova onda de mísseis e drones iranianos. O país disse ter interceptado 26 drones na terça-feira, embora nove tenham caído em seu território.

Quatro fortes estrondos foram ouvidos no Bahrein após o acionamento das sirenes de emergência, informou a agência de notícias Reuters na quarta-feira.

Também na quarta, o Exército do Irã afirmou que qualquer navio pertencente aos Estados Unidos, Israel ou a seus aliados que atravesse o estratégico Estreito de Ormuz é um alvo “legítimo”.

“Qualquer navio cuja carga de petróleo ou o próprio navio pertença aos Estados Unidos, ao regime sionista ou a seus aliados hostis será considerado um alvo legítimo”, afirmou o comando operacional central do Exército, Khatam Al Anbiya, em um comunicado divulgado pela televisão estatal.

A nota reitera que as Forças Armadas iranianas “não permitirão que nem um único litro de petróleo transite” pelo estreito.

A UK Maritime Trade Operations afirma que pelo menos duas embarcações – um navio graneleiro e um cargueiro – foram atingidas por projéteis desconhecidos: uma perto de Dubai e a outra no Estreito de Ormuz.

Novo líder ferido

O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, está “são e salvo”, apesar de ter sofrido ferimentos na guerra, afirmou o filho do presidente da República Islâmica.

“Ouvi a notícia de que Mojtaba Khamenei foi ferido. Perguntei a amigos que têm contatos e me disseram que, graças a Deus, ele está são e salvo”, escreveu na rede social Telegram Yusef Pezeshkian, filho do presidente Masoud Pezeshkian e conselheiro do governo.

Mojtaba Khamenei, 56 anos, teria ficado ferido durante o ataque que matou seu pai e antecessor, o aiatolá Ali Khamenei, no primeiro dia da ofensiva de Israel e dos Estados Unidos, em 28 de fevereiro, que desencadeou o conflito, mas não foram revelados detalhes sobre a gravidade de seus ferimentos e ele não apareceu em público desde então.

Espanha

A Espanha retirou formalmente seu embaixador de Israel, sinalizando um maior esfriamento das relações diplomáticas entre os dois países.

A decisão foi publicada no Diário Oficial da Espanha na quarta-feira, confirmando uma medida aprovada pelo governo um dia antes. A embaixada espanhola em Tel Aviv agora funcionará sob a responsabilidade de um encarregado de negócios.

Madri já havia retirado seu embaixador em setembro passado, após o aumento das tensões entre os dois governos. A disputa surgiu após críticas do ministro das Relações Exteriores israelense, Saar, a uma série de medidas anunciadas pelo primeiro-ministro espanhol, Sánchez.

Sánchez implementou as medidas após condenar o genocídio em Gaza.

Agressões contra o Irã

Os ataques conjuntos, não provocados e considerados ilegais pelas leis internacionais, dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciados no dia 28 de fevereiro, ocorreram em meio a negociações sobre o programa nuclear iraniano. 

Apesar da disposição anunciada pelo país persa em cooperar com a Agência Internacional de Energia Atômica e se comprometer a usar seu programa nuclear exclusivamente para fins pacíficos, Israel e EUA – ambas potências nucleares – acusam Teerã de secretamente buscar a construção de armas atômicas.

Tel Aviv também acusa o Irã de ser “ameaça existencial” ao país, mas a acusação é rebatida por analistas que argumentam que o governo iraniano se encontra hoje muito enfraquecido pelos ataques de junho de 2025, pelas sanções impostas pelos EUA, protestos internos e o fim do corredor até o Líbano, após a queda de Bashar al-Assad na Síria.

A derrubada do governo em Teerã é objetivo cultivado por Washington e Tel Aviv desde a instalação da República Islâmica, em 1979, que substituiu o regime vassalo do Ocidente e instituiu o governo teocrático nacionalista. Nos primeiros dias de ataques, bombardeios mataram lideranças iranianas, incluindo o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, que governava o país desde 1989.

Terceiro maior produtor de petróleo do mundo, o Irã fechou, após o início das agressões, o Estreito de Ormuz, por onde é escoada a produção de vários países do Golfo. Por lá passa cerca de 20% do petróleo consumido globalmente, o que gera temores de uma crise inflacionária internacional. Outro temor, apontado por analistas, é que o conflito se expanda para outros países da região, com consequências imprevisíveis.

Editado por: Nathallia Fonseca

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