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Justa Trama amplia entrega de lençóis orgânicos a hospitais públicos de Porto Alegre

Durante encontro nacional na Capital, rede reúne produtores e artesãs de 5 estados para discutir produção e parcerias

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Rede Justa Trama reúne representantes de cinco estados na cadeia produtiva do algodão orgânico
Rede Justa Trama reúne representantes de cinco estados na cadeia produtiva do algodão orgânico | Crédito: Solange Bernardes/Justa Trama

Porto Alegre recebe, nesta quinta (12) e sexta-feira (13), um encontro nacional da rede Justa Trama, que reúne agricultores, artesãs, fiadoras e costureiras envolvidos na cadeia do algodão orgânico. Entre os principais momentos do evento estão a apresentação de uma nova linha de lençóis de algodão orgânico bordados à mão e a entrega de um novo lote de lençóis ao Grupo Hospitalar Conceição (GHC), agora destinado à unidade pediátrica.

O encontro, realizado na sede da cooperativa no bairro Sarandi, na zona norte da capital gaúcha, também marcará a ampliação da parceria com o Hospital Fêmina, unidade especializada no atendimento a mulheres e recém-nascidos. A entrega dos lençóis aos hospitais ocorre na manhã dessa sexta-feira (13).

A iniciativa faz parte de uma parceria iniciada em 2024 entre a rede de economia solidária e GHC, hospital público federal que já recebeu anteriormente produtos destinados às áreas de oncologia e hematologia.

Segundo Nelsa Nespolo, coordenadora da Justa Trama no Rio Grande do Sul, a presença de produtos da economia solidária em instituições públicas de saúde representa uma articulação entre produção sustentável e cuidado social. Na avaliação da dirigente, a iniciativa demonstra como cadeias produtivas baseadas em trabalho cooperado e agroecologia podem contribuir com políticas públicas e serviços essenciais.

Lençóis produzidos com algodão orgânico percorrem toda a cadeia da economia solidária, do cultivo à confecção – Foto: Solange Bernardes/Justa Trama

Uma cadeia que liga o campo à confecção

A produção dos lençóis começa no cultivo do algodão agroecológico, realizado sem uso de agrotóxicos. O material segue por diferentes etapas dentro da própria rede, que integra agricultores familiares, cooperativas de beneficiamento, fiadoras, tecelagens, grupos de costura e artesãs responsáveis pelo bordado manual.

Esse processo envolve cerca de 600 trabalhadores organizados em cooperativas e associações distribuídas em cinco estados brasileiros: Ceará, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rondônia. A proposta da Justa Trama é manter todas as etapas da produção dentro de uma cadeia articulada de economia solidária, evitando intermediários comerciais e garantindo rastreabilidade dos produtos.

Os itens produzidos pela rede possuem certificação orgânica concedida pelo Instituto Biodinâmico (IBD) e também selo internacional de comércio justo, conhecido como Fair Trade. Essas certificações indicam que o cultivo segue critérios ambientais específicos e que as relações comerciais buscam garantir condições mais equilibradas de remuneração para os produtores.

A rastreabilidade da produção permite identificar todas as etapas do processo, desde o plantio do algodão até a confecção final das peças. Para os organizadores da rede, esse modelo reforça a transparência na cadeia produtiva e valoriza o trabalho coletivo das cooperativas envolvidas.

Produção de algodão orgânico envolve agricultores, artesãs e cooperativas em diferentes regiões do Brasil – Foto: Chico Lisboa/GHC/Divulgação

Economia solidária como modelo de produção

Criada no início dos anos 2000, a Justa Trama é considerada uma das experiências mais conhecidas de economia solidária na área têxtil no Brasil. O modelo busca organizar a produção com base em princípios de cooperação, autogestão e divisão coletiva dos resultados do trabalho.

Diferentemente da cadeia têxtil convencional, em que diferentes etapas da produção são frequentemente fragmentadas e concentradas em grandes empresas, a rede procura integrar os processos em uma estrutura cooperativa. Nesse formato, agricultores familiares produzem o algodão, que é transformado em fio, tecido e posteriormente em peças de vestuário ou itens têxteis domésticos.

De acordo com os organizadores do encontro, a rede também atua na valorização do algodão agroecológico como alternativa à produção convencional, frequentemente associada ao uso intensivo de insumos químicos. A proposta é fortalecer sistemas produtivos que combinem geração de renda, preservação ambiental e organização coletiva do trabalho.

Além da comercialização de roupas e produtos têxteis, a Justa Trama participa de feiras de economia solidária, eventos de comércio justo e iniciativas voltadas ao consumo responsável.

Parcerias com o sistema público de saúde

A aproximação com o Grupo Hospitalar Conceição representa uma nova frente de atuação para a rede. O complexo hospitalar, vinculado ao governo federal, é um dos principais prestadores de serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio Grande do Sul e atende pacientes de diferentes regiões do estado.

A entrega de lençóis para unidades hospitalares faz parte de um projeto que busca integrar produção sustentável com demandas institucionais de equipamentos e materiais hospitalares. Segundo a coordenação da rede, os produtos são confeccionados com algodão orgânico e passam por processos adequados às exigências de uso hospitalar.

A ampliação da parceria para o Hospital Fêmina, anunciada durante o encontro, deverá incluir fornecimento de novos itens têxteis para a unidade especializada no atendimento de mulheres e recém-nascidos.

Planejamento da rede

Além das atividades públicas, o encontro nacional da cadeia produtiva do algodão orgânico também inclui uma assembleia interna da rede. Durante os dois dias de reunião, representantes das cooperativas participantes discutem planejamento estratégico, avaliação das atividades e eleição de novos dirigentes.

O encontro reúne integrantes de diferentes regiões do país e busca alinhar decisões sobre produção, comercialização e organização da rede para os próximos anos. Segundo a coordenação da Justa Trama, esse processo de decisão coletiva faz parte do funcionamento da economia solidária, em que as cooperativas participantes compartilham responsabilidades na gestão do empreendimento.

A realização do encontro em Porto Alegre também marca a presença histórica da rede na capital gaúcha, onde funciona uma das cooperativas responsáveis pela etapa final da cadeia produtiva, dedicada à costura e à confecção das peças.

Editado por: Marcelo Ferreira

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