OPINIÃO

O Banco Master, a Globo e suas meia-verdades

O Grupo Globo recebeu, em 2024, vários milhões do Master.

No audio source provided.
1234
O Master, de Vorcaro, foi o principal patrocinador de um evento do Valo Econômico, do Grupo globo | Crédito: reprodução

No dia 11 de março, num Jornal Nacional curto, porque a fatura sai do Campeonato Brasileiro, assistimos mais um show de meias verdades. 

Roberto Marinho já dizia: “Muito mais importante do que eu mostro no Jornal Nacional é o que eu não mostro no Jornal Nacional”. Traduzindo: tão importante como dar uma notícia, é esconder uma notícia.

A cobertura da guerra Israel/EUA contra o Irã continua desumanizando os iranianos, escondendo as derrotas sofridas pela aliança dos extremistas Trump e Netanyahu e endeusando Trump e suas mentiras cada vez mais evidentes. 

Um vídeo de pastores evangélicos estendendo as mãos e abençoando Trump e “sua guerra”, que roda nas redes digitais, confirma o caráter perverso da empreitada estadunidense.

Mas, chama-nos a atenção a notícia que falta, ou seja, é omitida, escondida, na cobertura do escândalo do Banco Master. É que o Grupo Globo recebeu, em 2024, vários milhões do Master, a título de patrocínio de um dos seus veículos, o jornal Valor Econômico, numa festa realizada em Nova York. 

Aliás, o jornal e o grupo Globo realizaram a festa onde eles se sentem em casa. Seria muito chinfrim realizá-la no Brasil. Sintomático. 

O evento ocorreu em 15 de maio de 2024, no Hotel Plaza, em Nova York, e marcou o início das comemorações dos 25 anos do Valor Econômico. Na ocasião, Vorcaro foi o primeiro palestrante e representou o principal patrocinador do encontro.

Vocaro disse, “fiquei muito honrado com o convite. O [jornal] Valor tem sido um baluarte para nossa nação. O Valor tem sido uma referência e um norte para nós brasileiros, com informação sempre precisa e isenta. Cumprimento ao ‘Fred´ e toda a equipe que eu admiro bastante – Lauro, Maria Fernanda, Álvaro, Malu e todos demais pelos quais tenho uma admiração enorme”.

O regabofe global foi peça-chave para colocar Daniel Vorcaro e suas “empresas” no centro dos grandes  financistas, leia-se também, especuladores nacionais e internacionais, com a chancela da família Marinho.

A vida do jovem banqueiro mineiro foi outra a partir daquele dia. Ele conseguiu entrar para o primeiro time de empresários e banqueiros do Brasil e foi apresentado, internacionalmente, como um vitorioso, tudo isso chancelado pelo grupo Globo e a credibilidade de um dos maiores e mais sérios jornais de economia do planeta, o Valor Econômico.

Atenção: o valor recebido por uma única noite foi de milhões de reais; talvez  pouco menos do que o tal contrato do banco com o escritório da esposa de Alexandre de Moraes por dois anos de serviços. 

Registre-se, ainda, o patrocínio da fintech Will Bank, pertencente ao conglomerado Master, que patrocinou o  programa do global Luciano Huck que, por sua vez, se tornou garoto-propaganda do Will.

Cassação da concessão pública

Para a Globo, o ministro Alexandre de Moraes deveria renunciar ao cargo por causa do contrato da esposa. 

Utilizando-se do mesmo critério, com ética e coerência, como cidadão brasileiro peço a cassação da concessão pública da Globo pelos negócios com o gangster da Lagoinha.

Uma emissora que tem concessão pública não pode operar com um gangster que atenta contra não-somente a ordem econômica, mas sua “turma”, da extrema-direita, atenta contra a democracia. 

Robson Sávio Reis Souza é professor, pesquisador, pós-doutor em direitos humanos, presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos de Minas Gerais e associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal

Editado por: Elis Almeida

|

Newsletter