PATRIMÔNIO IMATERIAL

Celebração do Forró de Raiz oficializa candidatura a Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade na Unesco

Artistas se apresentam no Theatro Santa Roza durante entrega do pedido ao Iphan

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Cantor Maciel Melo celebra pedido de reconhecimento junto ao Iphan
Cantor Maciel Melo celebra pedido de reconhecimento junto ao Iphan | Crédito: Card | Divulgação

A sanfona, a zabumba e o triângulo vão tilintar com ainda mais alegria nesta quarta-feira (18), às 17h, no Theatro Santa Roza, em João Pessoa. A celebração do forró de raiz – expressão viva da cultura nordestina – reúne artistas, gestores e o público em torno da candidatura a Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco. A iniciativa, anunciada pela Secretaria da Cultura da Paraíba e pelo Consórcio Nordeste, ganha novo capítulo durante a audiência, com a entrega do protocolo de intenções ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O ato no Theatro Santa Roza contará ainda com apresentações de artistas como Helayne Cristini, Luizinho Calixto, Sandra Belê, Luiz Bento, Gitana Pimentel, Maciel Melo, Deusa do Forró e Os 3 do Nordeste.

De acordo com o secretário de Estado da Cultura, Pedro Santos, o pedido busca preservar e valorizar uma tradição que é parte da identidade do povo nordestino e brasileiro.

“Reforço o compromisso do Governo da Paraíba, da Secretaria de Cultura, de abrir portas para que essa candidatura se viabilize. Assinamos com o Iphan a missão de que o forró é o próximo candidato a ser submetido à Unesco. Esta audiência pública é mais um requisito que soma forças no dossiê para que o forró de raiz seja reconhecido como patrimônio da humanidade”, comentou.

Foto: Diego Nóbrega

Construção da candidatura

O processo de candidatura do forró de raiz a Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade ocorre em diferentes etapas. Um dos marcos dessa articulação foi a assinatura de um protocolo de intenções em setembro de 2025, durante o Festival Internacional do Forró de Raiz realizado em Lille, na França. Na ocasião, representantes do Consórcio Nordeste, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e do Fórum Nacional do Forró de Raiz formalizaram o compromisso de encaminhar a candidatura à Unesco.

Segundo Joana Alves, presidenta da Associação Cultural Balaio Nordeste, o avanço da candidatura é resultado de uma mobilização construída ao longo de anos pelo Fórum Nacional do Forró de Raiz. O movimento reuniu forrozeiros, mestres, pesquisadores e guardiões da cultura popular de diversas regiões do Brasil em defesa da valorização e da preservação do gênero como uma das expressões fundamentais da identidade cultural brasileira.

Para ela, o momento representa mais do que um reconhecimento simbólico. “O título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade é um instrumento de proteção viva, que assegura às futuras gerações o direito de herdar, praticar e reinventar essa tradição centenária”, destacou.

Encerrando um ciclo

Em conversa com o BdF/PB, Pedro Santos ressaltou que o ato de oficialização da candidatura do forró de raiz, na verdade, encerra um ciclo iniciado há mais de uma década. Segundo ele, o processo começou em 2011, com a busca pelo reconhecimento do forró como patrimônio nacional, título conquistado em 2021, e agora avança para o cenário internacional.

“Esta quarta-feira histórica encerra um ciclo que já dura cerca de 15 anos, com a busca pelo reconhecimento do forró como patrimônio nacional e depois esse reconhecimento sai em 2021. Depois se abre um novo ciclo, que é essa busca pelo reconhecimento internacional”, afirmou Santos.

O cantor Maciel Melo destacou a importância da mobilização: “Forró como patrimônio da cultura imaterial da humanidade será nesse dia 18 no Theatro Santa Roza, em João Pessoa. Não paga nada. Vamos construir juntos esse movimento musical, cantar e tocar. Eu estarei lá contribuindo com toda a nossa cultura e nossa arte. Nosso povo, nosso forró. Vai ser lindo demais.”

Riqueza do Nordeste

O forró de raiz, marcado pela sanfona, zabumba e triângulo, surgiu no início do século 20 e ganhou projeção nacional com Luiz Gonzaga, que levou o ritmo às rádios e palcos de todo o Brasil. Hoje, é celebrado em festas juninas, festivais e encontros culturais, sendo considerado um elo entre gerações.

O Consórcio Nordeste afirma que a candidatura à Unesco busca colocar o forró de raiz ao lado de outras manifestações culturais brasileiras já reconhecidas, como o samba de roda e o frevo. A formalização internacional é vista como oportunidade de mostrar ao mundo a riqueza da música nordestina.

O grupo é uma união formada pelos nove estados da região (Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia). Criado em 2019, ele funciona como um consórcio público interestadual, permitindo que os governos atuem juntos em áreas estratégicas como saúde, educação, infraestrutura, meio ambiente e cultura, servindo como uma ferramenta de integração e colaboração que busca valorizar a identidade nordestina e promover o desenvolvimento sustentável da região.

Chamamentos e celebração

O ato no Theatro Santa Roza contará com apresentações de artistas como Helayne Cristini, Luizinho Calixto, Sandra Belê, Luiz Bento, Gitana Pimentel, Maciel Melo, Deusa do Forró e Os 3 do Nordeste.

Nas redes sociais, o grupo Os 3 do Nordeste convidou o público: “Oi galera, passando para convidar todos vocês para estarmos juntos na candidatura do forró de raiz como patrimônio cultural imaterial da humanidade. Vai ser a partir das 17 horas lá no Theatro Santa Roza. Com a gente tem muita gente boa que vai se apresentar e Os 3 do Nordeste vai tocar para vocês. Vamos embora, nosso forró de raiz, menino.”

A cantora Deusa do Forró também reforçou o convite: “Meus gonzaguianos, meus forrozeiros do Nordeste, sou a Deusa nordestina do Forró. Vim fazer um convite para vocês se fazerem presentes nesse momento maravilhoso do nosso forró. Será a oficialização do pedido de reconhecimento e eu estarei lá celebrando com vocês.”

Na alma do povo

Joana Alves complementa, por fim que, num cenário em que o mercado da música impõe cada vez mais pressões comerciais sobre as manifestações culturais populares, o reconhecimento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pela Unesco reafirma a importância histórica do ritmo. “O forró de raiz tem valor, tem história e tem lugar garantido não apenas nos palcos, mas na alma do povo brasileiro”, afirmou.

Editado por: Cida Alves

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