Com as eleições de 2026 chegando, o escândalo do Banco Master continua a render novos capítulos. Na última sexta-feira (13), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal retire equipamentos da sala onde estavam armazenados os dados de Daniel Vorcaro, sob a justificativa de separar interesses públicos da vida privada do banqueiro. No mesmo dia, Vorcaro trocou de advogado, contratando José Luiz Oliveira Lima, criminalista conhecido por liderar delações na Lava Jato.
A advogada criminalista e mestre em direito penal Gabriela Mendes Martins considera a decisão de Mendonça acertada em parte, mas faz ressalvas. “É importante preservar conversas privadas de pessoas que não estão envolvidas, como a ex-noiva de Vorcaro, que teve diálogos de teor sexual vazados e não figura como investigada. Mas é preciso garantir que informações aparentemente privadas, mas com relação com a investigação, não sejam mantidas em sigilo”, diz no Conexão BdF da Rádio Brasil de Fato.
A advogada destaca a necessidade de equilibrar a proteção da vida pessoal com a publicidade de dados relevantes para a apuração. “O importante é que esses dados sejam mantidos na cadeia de custódia e analisados pela Polícia Federal, com o devido sigilo até que se chegue a conclusões.”
O deputado Lindbergh Farias denunciou que a decisão de Mendonça representa uma “blindagem” a nomes como Flávio Bolsonaro e Campos Neto. Martins concorda que o contexto eleitoral pesa. “Estamos num ano eleitoral muito significativo. Pessoas do centrão e da extrema direita vão tentar artifícios para se manter inertes e blindadas em relação à investigação do Banco Master.”
A criminalista aponta que a decisão pode ser interpretada como um movimento que dificulta o avanço das apurações sobre possíveis conexões políticas do esquema.
A contratação de José Luiz Oliveira Lima — que atuou em delações como a de Léo Pinheiro, da OAS, na Lava Jato — é, para Martins, um sinal claro. “A troca do advogado é muito indicativa nesses casos. Indica que uma colaboração premiada está em curso ou em tratativas.”
Ela explica o mecanismo da delação premiada. “É um meio de obtenção de provas em que o investigado apresenta informações de interesse público em troca de benefícios, como redução da pena. Mas a delação não é uma prova em si — é preciso que o delator entregue provas concretas, que expliquem a hierarquia da organização criminosa e apresentem autores.”
Martins ressalta que qualquer acordo será analisado pela Polícia Federal ou pela Procuradoria-Geral da República. “O que Vorcaro tem a dizer pode ser decisivo para o avanço das investigações e para a responsabilização de outros envolvidos.”
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
