Estudantes da Universidade do Distrito Federal Jorge Amaury Maia Nunes (UnDF) aprovaram a deflagração de uma greve estudantil após assembleias realizadas nos três turnos nesta segunda-feira (16). A mobilização é uma resposta direta à decisão do Governo do Distrito Federal (GDF) de transferir cursos para um prédio alugado em Ceilândia, sem consulta prévia à comunidade acadêmica.
A medida envolve um contrato superior a R$ 110 milhões pelo período de cinco anos, o que intensificou as críticas por parte dos estudantes.
Segundo o Diretório Central Acadêmico (DCA), o movimento busca pressionar pela abertura de diálogo com a reitoria e o GDF, reivindicando a participação efetiva da comunidade acadêmica em decisões que impactam a formação e a permanência dos estudantes.
No turno matutino, a decisão foi unânime, com 74 votos favoráveis à greve. No período vespertino, foram 49 votos a favor e 6 abstenções. Já no turno noturno, a paralisação foi consolidada com 51 votos favoráveis, 15 abstenções e 9 votos contrários.

Docentes também paralisam atividades
A mobilização estudantil ocorre em paralelo à articulação dos docentes. O Sindicato dos Docentes da UnDF protocolou, também nesta segunda-feira (16), a notificação formal de greve junto à reitoria e ao governo.
A paralisação dos professores está prevista para começar nesta sexta-feira (20), por tempo indeterminado.
Entre as reivindicações da categoria estão a reestruturação da carreira, melhorias nas condições de trabalho e a revisão de decisões administrativas, como a mudança de campus. O sindicato avalia que a medida foi adotada sem planejamento adequado e fere o princípio da gestão democrática do ensino público.
Impactos e questionamentos
A comunidade acadêmica aponta que a transferência para o novo espaço pode gerar o que classificam como “exclusão educacional indireta”. Entre os principais impactos citados estão o aumento no tempo de deslocamento, a elevação dos custos de transporte e o possível comprometimento de recursos que poderiam ser destinados à assistência estudantil.
Segundo os estudantes, parte desses recursos passaria a ser utilizada para custear o aluguel do novo espaço.
Em nota, o DCA defende a legalidade da mobilização com base no artigo 206 da Constituição Federal, que prevê a gestão democrática do ensino público.
“A greve deliberada em assembleia estudantil, convocada por entidades representativas e motivada por questões que afetam diretamente as condições de estudo, revela-se legítima, constitucional e compatível com os princípios democráticos”, afirma o parecer jurídico do movimento.
O Brasil de Fato DF solicitou um posicionamento da universidade sobre a greve dos estudantes e professores, mas até a publicação desta matéria, não houve retorno.
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