Nesta quarta-feira (18), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) concedeu ao ex-presidente uruguaio Pepe Mujica o título de Doutor Honoris Causa. Principal honraria concedida pela instituição, o título foi entregue à viúva de Mujica, a ex-senadora e ex-vice-presidente Lucía Topolansky. A cerimônia aconteceu no auditório da reitoria da UFMG.
A homenagem foi definida pelo Conselho Universitário em 29 de abril do ano passado. Poucos dias depois, em 13 de maio, Mujica morreu, aos 89 anos. A honraria é direcionada a pessoas que tenham contribuído de forma relevante à educação, à ciência e à cultura em geral, e a UFMG em particular.
“Mujica foi um grande humanista, defensor das universidades públicas e da integração latino-americana e líder carismático”, afirmou, em suas redes sociais, a reitora da universidade, Sandra Goulart Almeida, na ocasião da morte do líder político.
Topolansky foi o grande amor da vida de Mujica. Juntos eles viveram por 40 anos em uma chácara na zona rural de Montevidéu. O casal se conheceu no Movimento de Libertação Nacional – Tupamaros (MLN-T). Ambos foram presos e torturados pela ditadura uruguaia e se reencontraram em março de 1985, após o fim do regime militar, ficando juntos desde então.
A militância política foi o grande norte da vida do casal, que fundou o Movimento de Participação Popular e se consolidou como importantes líderes políticos do país.
Pepe Mujica
Nascido em 1935 em uma família de pequenos agricultores, Mujica perdeu o pai muito cedo e, desde então, trabalhou vendendo flores para ajudar a mãe, hábito que, assim como o amor pela terra, o acompanhariam por toda a vida, até seus últimos dias. A necessidade de trabalhar o impediu de concluir os estudos e, aos 14 anos, passou a acompanhar as mobilizações dos trabalhadores uruguaios por melhores salários.
Influenciado pela Revolução Cubana e por um contexto de lutas sociais em todo o continente, em meados dos anos 60, foi um dos fundadores do MLN-T. Após ser baleado e preso quatro vezes, em 1972, foi capturado e submetido à tortura por quase 13 anos. No entanto, nem o terror mais abominável foi capaz de fazê-lo desistir.
Mujica jamais abandonou seu compromisso político nem sua pregação por uma vida que valha a pena ser vivida, desprovida da ambição de acumular riquezas. Grande defensor da integração dos países latino-americanos e caribenhos, ele se tornou referência da esquerda do continente. Presidiu o Uruguai de 2010 a 2015, tendo ficado conhecido como “o presidente mais humilde do mundo”. Foi eleito novamente como senador em 2019. Mujica enfrentou um câncer de esôfago que acabou por tirar sua vida em 2025.
“Se eu pudesse viver de novo, dedicaria minha vida ao meu povo”, afirmou Mujica em um comovente discurso dirigido à juventude, em 2023.
