Uma das adolescentes vítimas do ataque com faca em uma escola em Barreiros, na Zona da Mata sul de Pernambuco, segue internada no Hospital da Restauração, no Recife. De acordo com a assessoria do hospital, seu estado é estável e ela está consciente. A jovem foi uma das três feridas por um adolescente de 14 anos no início da semana na Escola de Referência em Ensino Fundamental e Médio Cristiano Barbosa e Silva, no bairro de Lotes. As outras duas foram atendidas em Palmares e receberam alta no mesmo dia.
Em nota, a Secretaria Estadual de Educação (SEE) informou que as aulas na escola foram retomadas na última quarta-feira (18), com atividades de acolhimento e escuta, priorizando cuidados com estudantes, profissionais e familiares. As ações na unidade de ensino foram articuladas pela equipe do Núcleo de Atenção Psicossocial às Escolas (Napse) da Gerência Regional de Educação (GRE) Mata Sul, atendendo os 300 estudantes matriculados na escola neste ano.
A direção do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Pernambuco (Sintepe) também esteve presente na escola no dia do ataque para prestar solidariedade e acompanhar de perto os desdobramentos. Em nota, o sindicato aponta que o ataque não pode ser tratado como um caso isolado e que demonstra a urgência de “políticas públicas de prevenção e enfrentamento à cultura do ódio, à misoginia e a todas as formas de discriminação”.
“É preciso que o Estado implemente um protocolo de prevenção e enfrentamento à violência contra as escolas. Para o Sintepe a escola não pode ser a única responsável, pois é imperativo que a rede de proteção à infância e juventude funcione plenamente para garantir uma vida digna aos jovens”, diz trecho do texto.
O adolescente de 14 anos responsável pelo ataque foi encaminhado ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e está internado sob a tutela da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase). Em nota divulgada, o MPPE informa ter oferecido uma representação em desfavor do jovem por três tentativas de feminicídio e que segue acompanhando as investigações.
O Ministério Público também alertou sobre boatos e rumores que circulam imputando culpa às vítimas pelo ataque. “O MPPE destaca que os fatos estão sendo apurados pelas instituições competentes, a quem cabe fazer as investigações. Reforça também que é dever de toda a comunidade proteger e cuidar das vítimas e não expô-las à situações de constrangimentos ou a qualquer risco às suas integridades físicas e psicológicas, revitimizando-as”, diz a nota.
