ARTES VISUAIS

Exposição celebra saberes femininos no artesanato pernambucano no Recife até abril

'Terras Raras: Sagrado Feminino' ocupa praça do Shopping Tacaruna a partir desta quinta-feira (19)

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Projeto reúne artesãs de Petrolina, Buíque, Belo Jardim, Caruaru e Tracunhaém
Projeto reúne artesãs de Petrolina, Buíque, Belo Jardim, Caruaru e Tracunhaém | Crédito: Hermes Costa Neto/Divulgação

No contexto do Mês das Mulheres, o Shopping Tacaruna, no Recife, abre espaço para uma imersão na produção artesanal feminina com a chegada da exposição Terras Raras: Sagrado Feminino, que reúne cerca de 200 obras de cinco artesãs pernambucanas reconhecidas por suas trajetórias e pelo domínio de técnicas tradicionais. A mostra foi aberta nesta quinta-feira (19), na Praça Olinda, propondo ao público um contato direto com criações em barro e madeira que traduzem saberes ancestrais, experiências de vida e processos criativos marcados pela resistência e reinvenção no campo do artesanato.

Com curadoria de Nena Carvalho, a exposição articula diferentes territórios do estado ao reunir trabalhos de Carina Lacerda, de Petrolina; Simone Souza, de Buíque; Mestra Neguinha, de Belo Jardim; Mestra Nicinha Otília, do Alto do Moura, em Caruaru; e Lenynha Tibúrcio, de Tracunhaém. Em comum, além do domínio técnico, as artistas compartilham percursos atravessados por desafios em um campo historicamente marcado pela predominância masculina, afirmando hoje uma produção autoral e carregada de identidade.

A mostra permanece em cartaz até 19 de abril, com visitação gratuita e diária, acompanhando o horário de funcionamento do shopping. Além da contemplação, o público também poderá adquirir as peças expostas, com preços a partir de R$ 110, em um processo que assegura às artesãs a definição dos valores e o recebimento integral das vendas.

Terras Raras: Sagrado Feminino também tensiona questões contemporâneas, como a sustentabilidade na produção artesanal. A escassez de matérias-primas, como madeira e barro, aparece como um dos desafios enfrentados pelas artesãs, que dependem do tempo da natureza e de práticas responsáveis para garantir a continuidade do ofício. Nesse contexto, o fazer artesanal é apresentado como prática de cuidado, transmissão de conhecimento e relação com o território.

A acessibilidade é outro eixo estruturante da exposição. O público contará com revista em braille, recursos de audiodescrição e peças táteis desenvolvidas especialmente para a mostra, permitindo a fruição por pessoas cegas ou com baixa visão. Duas visitas guiadas com intérprete de Libras estão previstas para os dias 21 de março e 11 de abril, sempre às 16h30.

Entre os destaques, estão as esculturas em madeira de Simone Souza, que evocam a relação com a natureza e com o povo indígena Kapinawá, e as obras em barro de Mestra Nicinha Otília, que transforma o material em narrativas que atravessam memória e cotidiano. Já Carina Lacerda ressignifica a carranca ao incorporar elementos femininos, enquanto Mestra Neguinha preserva técnicas tradicionais aprendidas na infância, e Lenynha Tibúrcio constrói peças que nascem de experiências oníricas e afetivas.

O projeto, dirigido por Eric Valença e realizado com incentivo do Funcultura, teve estreia no Museu de Arte de Brasília em novembro de 2025 e chega ao Recife com o apoio do Shopping Tacaruna. A proposta, segundo a curadoria, é apresentar um recorte representativo da produção artesanal nordestina feita por mulheres, evidenciando a potência criativa que emerge de diferentes regiões de Pernambuco.

Editado por: Rostand Tiago

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