ESPAÇOS EM PALAVRAS

Nova fase do “Visões Sonoras da Cidade” reforça acessibilidade em pontos históricos do Recife

Pátios do Terço e São Pedro, Mercado de São José e Parque de Esculturas Francisco Brennand fazem parte do projeto

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Visita guiada realizada na primeira parte do projeto em 2024
Visita guiada realizada na primeira parte do projeto em 2024 | Crédito: Icaro Benjamim/Divulgação

A proposta de tornar o Recife uma cidade mais acessível ganha uma nova força a partir da segunda etapa do projeto “Visões Sonoras da Cidade”, que amplia o alcance da audiodescrição para espaços históricos e culturais e convida o público a experimentar a capital pernambucana por meio de narrativas sensoriais. A iniciativa, que alia inclusão, tecnologia e valorização do patrimônio, passa a contemplar novos pontos da cidade e promove, ainda, uma visita guiada aberta ao público, com recursos de acessibilidade que permitem diferentes formas de vivenciar e interpretar o ambiente urbano.

O projeto chega à nova fase incorporando quatro locais emblemáticos do Recife ao seu percurso acessível: o Pátio do Terço, o Pátio de São Pedro, o Mercado de São José e o Parque de Esculturas Francisco Brennand. A proposta é traduzir esses espaços em palavras, permitindo que pessoas com deficiência visual e também pessoas neurodivergentes construam imagens mentais e estabeleçam novas relações com a cidade.

A experiência prática dessa expansão poderá ser vivenciada no dia 19 de março, a partir das 14h, durante uma visita guiada gratuita. O trajeto começa no Mercado de São José, segue pelo Pátio do Terço e pelo Pátio de São Pedro, e termina no Parque de Esculturas. Durante o percurso, os participantes terão acesso à audiodescrição ao vivo e simultânea, além de interpretação em Libras, ampliando o alcance para pessoas com deficiência auditiva. A atividade também funciona como um teste público, reunindo percepções dos participantes para aprimorar o conteúdo produzido.

A iniciativa é desenvolvida pela empresa Com Acessibilidade Comunicacional e financiado pelo Governo de Pernambuco, por meio do Funcultura. Segundo a audiodescritora e idealizadora do projeto, Liliana Tavares, o trabalho envolve um processo detalhado que vai desde visitas técnicas até a construção final das chamadas paisagens sonoras. A narrativa busca traduzir elementos arquitetônicos, espaciais e simbólicos, possibilitando que pessoas cegas ou com baixa visão acessem dimensões que, historicamente, lhes foram negadas no espaço urbano.

A primeira fase do projeto, concluída em 2024, já havia resultado na produção de audiodescrições de seis pontos importantes da região central do Recife, como o Marco Zero, a Rua do Bom Jesus, a Torre Malakoff, a Rua da Aurora, o Teatro de Santa Isabel e a Praça da República. Todo esse material permanece disponível gratuitamente no site da iniciativa.

O Visões Sonoras da Cidade também se destaca pela composição de sua equipe, que reúne profissionais com diferentes experiências e vivências. Entre eles estão Michelle Alheiros, consultora de audiodescrição cega e Mariana Hora, consultora de conteúdo surda, o que contribui para a construção de um projeto mais sensível às diversas formas de percepção.

Além de disponibilizar os conteúdos em plataformas digitais, a proposta inclui a instalação de QR Codes nos próprios espaços culturais, permitindo que visitantes acessem as audiodescrições diretamente nos locais. O material também será compartilhado com gestores públicos e com a Secretaria de Cultura.

Editado por: Rostand Tiago

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