O deputado federal Adilson Barroso (PL-SP), pai da deputada estadual Fabiana Bolsonaro, fraudou, assim como a filha, as cotas raciais no sistema de candidaturas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na campanha de 2022 para uma vaga na Câmara Federal, segundo denúncia feita pela deputada estadual Monica Seixas (Psol-SP), do Movimento Pretas. Fabiana é acusada de racismo, após fazer blackface na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Adilson Barroso assumiu a vaga da ex-deputada Carla Zambelli na Câmara dos Deputados em dezembro de 2025. Nas redes sociais, se apresenta como “bolsonarista de direita, conservador, patriota” e “amigo” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Nas eleições de 2016, quando foi candidato a vereador em Barrinha (SP), se declarou branco.
Seixas que protocolou uma representação junto ao Ministério Público Federal (MPF) denunciando o suposto esquema de “fraude eleitoral e racismo” para obtenção de vantagens eleitorais tanto de Fabiana quanto do pai.
No documento, a parlamentar do Psol pede a anulação dos votos da chapa do PL nas eleições de 2022 em São Paulo, devido ao comprometimento da lisura do processo eleitoral por meio de fraude de cota, disposto na súmula 73 do TSE.

Ela também requisita a cassação de diplomas e mandatos por fraude estrutural e captação ilícita de recursos, assim como a instauração de um inquérito criminal pela prática de blackface e pelas declarações falsas à Justiça Eleitoral e a devolução integral dos valores com a restituição ao erário de todos os recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) recebidos sob a rubrica de cotas raciais por ambos os parlamentares.
“Estamos diante de um escândalo eleitoral. O pai e a filha fraudaram o sistema para enriquecer suas campanhas com dinheiro destinado à luta antirracista. E, não satisfeitos, usam o mandato para ridicularizar o povo preto com práticas racistas como o blackface. A justiça precisa ser implacável,” declara Monica Seixas.
A peça jurídica destaca que a prática de “afroconveniência” não foi um caso isolado, mas uma estratégia familiar para recolher recursos destinados a candidaturas negras.
Como já divulgado pelo Brasil de Fato, antes branca para a Justiça Eleitoral, a deputada Fabiana Bolsonaro, que protagonizou uma cena de racismo na Assembleia Legislativa de São Paulo (SP) na quarta (18), se declarou parda em 2022 para concorrer ao cargo de deputada estadual.
Em 2020, quando concorreu e ganhou a eleição para vice-prefeita do município de Barrinha (SP), na chapa do prefeito Zé Marcos (PL), Fabiana havia se declarado branca ao TSE. Na eleição seguinte, quando se declarou parda, os partidos políticos tinham que obedecer à regra de cotas do Fundo Eleitoral para financiar a campanha de candidatos negros.
Nessa mesma eleição de 2022, Fabiana de Lima Barroso Souza também mudou de nome e passou a adotar o sobrenome Bolsonaro, mesmo não tendo relação de parentesco com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na última quarta-feira (18), a deputada fez blackface (pintou o rosto de preto) e disse que, mesmo assim, não poderia representar pessoas negras. A cena era um “protesto” para questionar a representação da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) na presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados.
O deputado federal Adilson Barroso e pai de Fabiana também alterou sua autodeclaração para pardo nas eleições de 2022. “A manobra permitiu que o clã familiar acessasse fatias maiores do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), prejudicando a real representatividade negra no Congresso e na Alesp”, diz a denúncia de Mônica Seixas.
A reportagem buscou contato com Adilson Barroso, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
