O governo do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), não irá cobrar pela cessão do Autódromo de Interlagos para a realização do festival Lollapalooza 2026, que começa nesta sexta-feira 20, e prossegue pelos dias 21 e 22 de março, com público estimado em 100 mil pessoas por dia.
O termo de parceria entre a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e a empresa Rock World, responsável pelo evento, foi publicado no Diário Oficial do município na última quarta-feira (18). Diferentemente do que ocorreu em 2025, quando a prefeitura arrecadou R$ 2,7 milhões pela cessão do espaço, desta vez o uso será gratuito.
Em contrapartida, o município passa a figurar como “apoiador institucional” do festival. Isso permite à gestão municipal expor sua marca em estruturas do evento — como palcos, tendas e uma torre com painel de LED — além de utilizar e repostar conteúdos oficiais do Lollapalooza em suas redes sociais.
Cobrança pública
A decisão motivou questionamentos na Câmara Municipal. A vereadora Amanda Paschoal (Psol) protocolou uma representação no Ministério Público solicitando a abertura de inquérito para apurar possíveis irregularidades na cessão gratuita do espaço público.
Segundo a parlamentar, a ausência de cobrança carece de justificativa e transparência, especialmente diante do potencial arrecadatório do evento.
“A prefeitura, sem nenhuma justificativa, sem nenhuma transparência, sem nenhuma prestação de contas para os munícipes, abdicou desse recurso que poderia ser destinado para áreas que estão carecendo de investimento, como saúde, infraestrutura, educação e saneamento básico”, afirmou Paschoal.
A vereadora também questiona o critério adotado pela gestão municipal em contratos com grandes eventos e cita outros casos que, segundo ela, apresentam indícios de irregularidades.
“Nós vemos aqui em São Paulo uma instrumentalização da cultura pela gestão Nunes, que escolhe os eventos que vão acontecer e faz contratos com indícios de corrupção. Por isso, acionei o Ministério Público para que o prefeito preste contas sobre o motivo de abrir mão desses R$ 2,7 milhões”, declarou.
Paschoal afirma que pretende acompanhar o caso e cobrar esclarecimentos formais da prefeitura.
Resposta oficial
Em nota, a Prefeitura de São Paulo justificou a cessão gratuita do autódromo com base no “relevante interesse público” e no impacto econômico do evento para a cidade.
Segundo a administração municipal, a edição de 2026 deve atrair 54% de público de fora da capital e gerar cerca de R$ 500 milhões em impacto econômico direto, além de mais de 15 mil empregos diretos e indiretos.
A gestão também argumenta que o festival contribui para a projeção internacional de São Paulo e integra a estratégia de consolidar a cidade como destino turístico.
“A cessão do autódromo para realização do Lollapalooza promove forte estímulo à economia criativa, turismo, hotelaria, alimentação e serviços, além de valorizar o uso qualificado do espaço público”, afirmou a prefeitura em comunicado.
