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‘Pernambuco não é terra de conformismo’: João Campos cobra hospitais, creches, desempenho escolar e segurança da gestão de Raquel Lyra

No lançamento de sua pré-candidatura a governador, o prefeito do Recife expôs suas principais críticas à gestão Lyra

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Após 5 anos como prefeito do Recife, João Campos (PSB) é pré-candidato ao Governo de Pernambuco
Após 5 anos como prefeito do Recife, João Campos (PSB) é pré-candidato ao Governo de Pernambuco | Crédito: Vinícius Sobreira / Brasil de Fato

Protagonismo e capacidade de resolução de problemas. Estas duas características são o que, na avaliação do prefeito do Recife, João Campos (PSB), está faltando à gestão da governadora Raquel Lyra (PSD). Nesta sexta-feira (20), Campos lançou sua pré-candidatura a governador de Pernambuco e fez uma série de críticas à sua agora adversária. Ele tem até o dia três de abril para deixar o cargo de prefeito para se dedicar a preparar sua campanha eleitoral e a avançar articulações nacionais do PSB. Campos é presidente nacional do seu partido.

No ato político, o pré-candidato do PSB subestimou os resultados da gestão da governadora Raquel Lyra (PSD). “Pernambuco não é uma terra onde se pode afirmar que ‘nem está tão mal assim’, não é terra de conformismo. A gente sempre quer o melhor, a melhor decisão, a melhor conduta, a melhor escola, a melhor saúde e educação”, afirmou Campos. “A Frente Popular vai vencer as eleições e Pernambuco voltará a ser protagonista no Brasil. Queremos a melhor educação pública do país. Teremos investimento em saúde e esse time vai representar a esperança, o sonho, o desejo de um estado melhor”, completou.

Ele ainda sugere que Lyra não assume a responsabilidade sobre os problemas do estado. “Eu não terceirizo a culpa. Não digo que a política atrapalhou ou que o momento não é o ideal. Problema não quer intimidade, quer solução”, disparou.

Marília Arraes (PDT), adversária de Raquel Lyra no 2º turno das eleições de 2022, também fustigou, criticando a falta de abastecimento de água, os números de feminicídios no estado e o desempenho de outras políticas públicas. “Não se negocia com a esperança da mãe que esperava uma creche que nunca chegou, ou que desejava parir numa maternidade próxima de sua casa, mas nenhum tijolo foi colocado”, bateu a pré-candidata ao Senado.

Campos comparou o desempenho do seu pai, Eduardo Campos, no governo do estado (2007-2014), ao de Raquel Lyra nos três anos dela no Palácio do Campo das Princesas. “Eduardo prometeu três hospitais e, em cinco anos e alguns meses, ele construiu os três hospitais. Fez 14 UPAs. Agora me digam um equipamento de saúde de grande porte construído nesses últimos anos no estado de Pernambuco. Mas fiquem tranquilos, porque daqui a 10 dias a gente [prefeitura] vai inaugurar o Hospital da Criança do Recife”, ironizou.

Com 600 leitos pediátricos, o Hospital da Criança está sendo construído com recursos municipais e federais
Com 600 leitos pediátricos, o Hospital da Criança está sendo construído com recursos municipais e federais | Crédito: Edson Holanda/Prefeitura do Recife

Exclusivo para crianças e adolescentes, o equipamento de saúde está em fase final de construção no bairro de Areias, zona oeste da capital, e contará com 60 leitos (10 de UTI) e atendimento de 15 subespecialidades pediátricas. A obra de R$ 200 milhões foi realizada com recursos da Prefeitura do Recife e do Ministério da Saúde.

Campos criticou ainda o avanço das facções organizadas de tráfico de drogas nas periferias da Região Metropolitana do Recife. “É inadmissível ver o crime organizado entrar no nosso estado e dominar territórios. Vamos enfrentar a violência com coragem e força, fortalecendo a polícia e garantindo que o estado controle os territórios. Não vamos baixar a guarda. Mas também vamos entrar com inteligência, gerando oportunidades, formação e urbanismo social. É isso que as pessoas esperam”, opinou.

Creches e desempenho escolar

Outro ponto de ataque foram as obras de creches. A governadora prometeu construir 250 ao longo do seu mandato, mas até a data de publicação desta matéria a gestão havia entregue apenas três unidades, em Caruaru, Igarassu e Itamaracá. “Quando eu assunmi a prefeitura [do Recife] eram 6.432 vagas. Sabem quantas temos hoje? Mais de 19 mil vagas em creches. Para fazer isso tem que saber trabalhar. De boas ideias o mundo está cheio. O que falta é gente que tem capacidade de fazer”, concluiu.

Ainda sobre a educação, que era a menina dos olhos do governo Eduardo Campos, João lamentou um suposto declínio de Pernambuco no ranking do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) referente às escolas públicas de ensino médio. “O nosso estado tinha a melhor educação pública do Brasil e agora sai do pódio. Eu vou ser governador e vou nos colocar de volta no pódio”, disse Campos, se referindo aos três primeiros lugares do ranking.

Desempenho de Pernambuco no Ideb, de 2005 a 2023
Desempenho de Pernambuco no Ideb, de 2005 a 2023 | Crédito: Vinícius Sobreira / Brasil de Fato

Realizado desde 2005, o ranking do Ideb colocava Pernambuco (ainda sob governo Jarbas Vasconcelos), com 2,7 pontos (de um total de cinco), figurando com apenas o 18º melhor desempenho entre as redes de ensino médio públicas das unidades da federação. Em 2007 (início da gestão Eduardo Campos), o estado manteve a mesma pontuação, caindo para a 21ª posição.

A política de escolas de tempo integral teve impacto percebido nos anos seguintes, quando o estado ficou na 17ª (3,0 pontos, em 2009) e, em quatro anos, saltou para a 4ª posição (3,6 pontos, em 2013), alcançando o 1º lugar nacional em 2015 (3,9 pontos).

Mas desde a gestão Paulo Câmara (PSB), Pernambuco reduziu seu ritmo de evolução na pontuação e tem se mantido “estável” no ranking: 4 pontos em 2017 (3º); depois 4,4 pontos em 2019 (3º); mesma pontuação em 2021 (3º); e sob Raquel Lyra (2023) subiu para os 4,5 pontos, mas perdeu uma posição (4º), saindo do “pódio”. Os índices de 2025 ainda não foram divulgados.

Editado por: Vinícius Sobreira

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