Agroecologia

Assentamento do MST no DF e Entorno realiza 1º Festa da Colheita do Arroz

Parte da safra foi destinada para o programa federal de abastecimento Arroz da Gente

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1ª Festa da Colheita do Arroz do MST DF
Representações da reforma agrária no DF e Entorno participam do evento | Crédito: Luiza Melo/BdF DF

No último sábado (21), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Distrito Federal e Entorno realizou a 1ª Festa de Colheita de Arroz no assentamento Mães das Conquistas, localizado em Buritis, noroeste de Minas Gerais. O evento comemora a primeira grande produção de arroz ecológico da região. A celebração contou com o auxílio de 20 representações das áreas de assentamento de reforma agrária. 

O evento se inspirou em modelos históricos, como a Festa da Colheita do Rio Grande do Sul, buscando estabelecer uma tradição anual de valorização da agricultura familiar, da solidariedade e da produção agroecológica.

Coordenadora da direção do MST DF e Entorno, Leidiane Sousa destaca que a realização da festa é um marco para a luta da reforma agrária e consolida a região na produção do alimento. 

“Esse é o marco inicial para transformar Buritis, a região do DF e Entorno, num polo de produção de arroz agroecológico para assim produzir alimento saudável, alimentar o Brasil e mostrar que a reforma agrária sim é possível, ela dá certo e é só através dela que podemos transformar o nosso país e poder levar comida de verdade para o prato da população brasileira”, comemora Sousa que é assentada no local. 

A escolha do assentamento não foi por acaso. É um dos mais antigos do noroeste de Minas, região emblemática na luta pela terra e na consolidação da reforma agrária no DF, no entorno e também no Brasil. 

“Na década de 90 foi um boom da reforma agrária aqui, com muitos assentamentos e esse é um dos assentamentos mais antigos, um assentamento grande, muito estratégico, muito simbólico. É um assentamento muito produtivo do qual o MST ajudou a criar”, explica Marco Baratto, integrante da direção do MST DF.  

Safra

A ideia central, a partir do festival, é transformar o noroeste mineiro como um polo de produção de arroz orgânico para a subsistência de famílias e de articulação e comercialização a nível nacional com a integração de políticas públicas do Governo Federal. 

Parte da colheita foi enviada a programas sociais do governo federal. Segundo a organização do movimento, foram entregues à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mais de 10 hectares de arroz. A expectativa é entregar mais de 60 hectares até o meio deste ano. 

Para o ano que vem, a safra deve ser ainda maior e deve expandir para 300 hectares de colheita. Um dos programas beneficiados com a produção é o Arroz da Gente, estratégia nacional focada na produção de alimentos saudáveis para o abastecimento alimentar. 

“A participação desse assentamento no programa Arroz da Gente enriquece, engrandece e com certeza vai contribuir consideravelmente para a produção de alimentos para abastecimento alimentar. Para além de um programa, é uma estratégia robusta do governo para acabar com a fome no Brasil. Tiramos o Brasil do mapa da fome, precisamos tirar a fome do mapa do Brasil”, pontua Maria Cazé, assessora da Diretoria de Política Agrícola e Informações da Conab. 

O superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) no DF, Lukas Nunes, relembra a dificuldade da reorganização das políticas públicas como o Arroz da Gente no novo mandato do governo Lula.

“Levamos algum tempo para reorganizar as políticas públicas do governo federal, questão de recurso e tudo mais para chegar. Foram alguns belos anos de reconstrução para chegarmos num momento como hoje, para chegar com um programa desse, do Arroz da Gente, programa extremamente importante que abarca 17 territórios do nosso Brasil. Ter Minas Gerais, o Goiás, abarcado, mostra a importância da nossa região, do nosso Centro-Oeste para a produção orgânica agroecológica para o nosso Brasil”, defende.

A ideia do MST é continuar subsidiando a Conab nos estoques de arroz fora do eixo Sul do país. “Entendemos que no sul do país, pelas questões ambientais e de enchentes, há também uma crise nisso e precisamos constituir outros polos. E aqui é um polo muito importante pelo potencial do tamanho da área, potencial hídrico, solo e clima”, avalia Baratto.

Máquinas chinesas 

A integração com a Conab também permitiu a entrega de máquinas chinesas para auxiliar os produtores rurais. A tecnologia foi disponibilizada através de uma parceria entre a Conab, Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e a Universidade de Brasília (UnB) para impulsionar e facilitar o processo de colheita nas lavouras. São máquinas adaptadas para safras de pequeno e médio porte. Além da colheitadeira, foram entregues pequenas máquinas de plantadeira e adubadeira. 

“A colheitadeira de arroz que está aqui hoje, é uma máquina pequena que tem uma capacidade de colheita muito grande. Ela colhe até 150 sacas de 50 kg de arroz em um dia. É um impacto menor, um gasto menor, elas são muito estratégicas”, explica Baratto. 

Para ele, a tecnologia auxilia a diminuir a força de trabalho nas lavouras e são de extrema importância para a agricultura familiar camponesa e os pequenos assentados. “A ideia dessas máquinas são para que elas se agreguem, se adequem à agricultura familiar e camponesa, não só para as lavouras médias, mas lavouras menores”. Durante a programação, os participantes puderam ver uma pequena demonstração do uso das máquinas na lavoura. 

No ano passado, o MST, a Universidade de Brasília (UnB), a Associação Internacional para a Cooperação Popular (Baobab) e o Centro Brasil-China para a Agricultura Familiar realizaram uma capacitação técnica para testagem de máquinas e implementos agrícolas de origem chinesa.

O objetivo da iniciativa foi  avaliar o desempenho, a adaptabilidade e a eficiência de máquinas e implementos de mais de 11 empresas chinesas nas diversas condições produtivas do Brasil. Além de fortalecer a integração no eixo Brasil-China.

Parceria com o governo

A superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) do DF, Cláudia Farinha, destaca que a atividade é um processo de integração entre os movimentos sociais, os trabalhadores rurais e o governo. Segundo ela, o Incra enviou R$ 12 milhões aos agricultores distribuídos no Distrito Federal, Goiás e no noroeste mineiro para fomentar a produção.

“Todo esse processo de organização dos movimentos sociais aqui, em especial o MST que está coordenando essa atividade, é possível porque tem os trabalhadores e as trabalhadoras organizados, mas também porque temos hoje o governo que está ao lado dos trabalhadores e das trabalhadoras rurais. Nada mais simbólico de estar aqui num assentamento que é o assentamento Mãe das Conquistas, o assentamento mãe de muitos outros assentamentos”, comenta. 

Na mesma linha, o superintendente do MDA no DF, Lukas Nunes explica que para que o alimento chegue na mesa do trabalhador brasileiro, há todo um processo por trás que envolve a esfera municipal, estadual e federal. “Para chegar na mesa do trabalhador ou trabalhadora, temos todo esse time para ajudar a fazer isso. Desde o governo municipal, estadual e governo federal para possamos fazer que esse arroz chegue na mesa de cada um.”

Além disso, a pasta garantiu o investimento de R$ 400 mil para irrigar áreas produtivas em Buritis. O projeto atende cerca de 23 famílias da região e deve expandir com a nova aplicação. 

“O objetivo é trazer a irrigação para a agricultura familiar. O MDA tem um compromisso de trabalhar com e para a agricultura familiar. E o objetivo também deste projeto que está no olhar da secretaria, é que seja ampliado. Vai ser um piloto aqui em Buritis. Em Minas Gerais, já tem um [que foi implementado em conjunto] com a Codevasf, e foi um sucesso graças aos trabalhadores e trabalhadoras. Estamos agora com esse novo projeto, com esse recurso que veio do MDA”, detalha Patrícia Caldeiras, representante da coordenação de articulação de políticas públicas do ministério. 

Editado por: Clivia Mesquita

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