Cibersegurança

China publica guia de segurança para uso do OpenClaw, agente de inteligência artificial

Documento orienta usuários comuns, empresas, desenvolvedores e provedores de nuvem sobre como reduzir riscos do software

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Um homem segura um cartaz com a imagem do OpenClaw, um assistente de IA de código aberto, durante um evento na sede da Baidu em Pequim, em 11 de março de 2026.
Um homem segura um cartaz com a imagem do OpenClaw, um assistente de IA de código aberto, durante um evento na sede da Baidu em Pequim, em 11 de março de 2026. | Crédito: Adek Berry / AFP

O Centro Nacional de Resposta a Emergências de Redes da China (CNCERT) e a Associação Chinesa de Segurança no Ciberespaço publicaram, no domingo (22), um guia de segurança para o uso do OpenClaw, agente de inteligência artificial de código aberto que se tornou um fenômeno tecnológico na China e no mundo nas últimas semanas.

O documento é destinado a quatro perfis de usuários e traz recomendações para reduzir os riscos associados à ferramenta, que pode executar diretamente tarefas num sistema informatizado, administrar arquivos, escrever e-mails ou navegar na internet por meio de comandos em texto simples. Ela difere de assistentes de IA como DeepSeek, ChatGPT ou Claude, que se limitam a gerar texto, responder perguntas e fornecer informações, mas não podem manipular arquivos, executar comandos ou agir diretamente no dispositivo do usuário.

Entre as principais recomendações, o guia orienta usuários comuns a instalarem o OpenClaw em um ambiente isolado do restante do sistema, seja num computador exclusivo para essa finalidade, numa partição separada do sistema operacional ou num servidor remoto acessado à distância, e nunca no computador usado para trabalho ou uso pessoal cotidiano.

Isso porque o agente precisa de acesso profundo ao sistema para funcionar: pode ler e escrever arquivos, executar scripts e rodar comandos de sistema. Em caso de ataque ou configuração inadequada, esse nível de acesso pode dar a um invasor controle sobre o dispositivo inteiro.

O guia recomenda também não executar o programa com privilégios de administrador e não armazenar dados sensíveis no ambiente do agente.

O programa ainda seria suscetível a ataques de injeção de prompt, nos quais instruções maliciosas são embutidas em documentos ou mensagens para induzir o agente a executá-las como se fossem comandos legítimos do usuário.

Vale destacar que o risco principal não é o envio de dados a empresas estrangeiras. Como o OpenClaw é um software de código aberto executado localmente no dispositivo, os dados não trafegam para nenhuma empresa em particular. O problema está na exposição do próprio dispositivo a ataques externos.

Para empresas, o documento prevê regimes de gestão de segurança para agentes inteligentes, com monitoramento contínuo, registros detalhados de atividades e proteção de credenciais. Provedores de nuvem devem realizar avaliações de segurança, implantar proteção ativa e fortalecer defesas na cadeia de fornecimento de software.

Mais que um chatbot

O OpenClaw é um agente de inteligência artificial autônomo, gratuito e de código aberto, desenvolvido pelo programador austríaco Peter Steinberger. Diferentemente de chatbots convencionais, ele não apenas responde, ele age. Integrado a plataformas de mensagens como WhatsApp, Telegram ou WeChat, recebe comandos em texto simples e os executa diretamente no computador do usuário, podendo abrir páginas, preencher formulários, clicar em botões e extrair dados da web.

Em apenas quatro meses após sua publicação como código aberto, em novembro de 2025, o projeto acumulou mais de 250.000 estrelas (avaliações positivas) no GitHub, site onde desenvolvedores compartilham e avaliam projetos de software, tornando-se o projeto mais bem avaliado da história da plataforma.

Integração ao WeChat

A popularidade do programa impulsionou sua adoção por grandes empresas tecnológicas. A Tencent anunciou a integração de agentes baseados em OpenClaw ao WeChat, principal plataforma de mensagens da China, com mais de 1,3 bilhão de usuários no mundo. O complemento permite resumir conversas, processar documentos, gerar relatórios e automatizar tarefas no computador a partir de comandos enviados pelo celular.

A empresa informou ter implementado medidas de segurança específicas para a versão integrada ao WeChat, incluindo o isolamento do agente do restante do sistema, autenticação obrigatória para acesso remoto e restrição ao uso de complementos não aprovados pela própria Tencent.

A Tencent não foi a primeira grande empresa tecnológica chinesa a apostar no OpenClaw. Em fevereiro deste ano, a Baidu integrou o agente ao seu aplicativo de busca, usado por 700 milhões de pessoas mensalmente, e passou a oferecer um conjunto de ferramentas próprias para desenvolvedores na plataforma. Em março, lançou o DuMate, voltado para empresas que precisam rodar o agente em servidores próprios por exigências legais e de segurança interna. Em menos de dois meses, as três maiores empresas do setor tecnológico chinês, incluindo a Alibaba, maior grupo de comércio eletrônico e computação em nuvem do país, anunciaram suas integrações com o OpenClaw.

Governos locais em vários polos tecnológicos e industriais da China já vinham anunciando medidas para construir um ecossistema em torno do OpenClaw, em linha com o plano nacional “IA mais” para integrar a inteligência artificial em toda a economia. O guia de segurança publicado pelo CNCERT surge justamente nesse contexto: não como uma restrição ao uso, mas como uma tentativa de ordenar e tornar mais segura uma adoção que já é realidade.

Editado por: Rafaella Coury

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