O maior mutirão já realizado no sistema público de saúde voltado exclusivamente para mulheres ocorreu no último fim de semana, mobilizando estruturas hospitalares em todo o país. A iniciativa, parte do programa Agora Tem Especialistas, foi coordenada pelo Ministério da Saúde e concentrou a realização de cirurgias e exames de média e alta complexidade em dois dias de atendimento intensivo.
Ao todo, foram ofertados cerca de 230 mil procedimentos em todos os estados e no Distrito Federal. No Rio Grande do Sul, a estimativa foi de aproximadamente 10,7 mil atendimentos, distribuídos em dezenas de municípios e unidades de saúde.
Rede mobilizada e procedimentos realizados
A ação envolveu mais de 940 hospitais públicos, privados e filantrópicos, que atenderam pacientes previamente encaminhadas pelas redes municipais de saúde. A organização seguiu critérios definidos pelas centrais de regulação, priorizando casos com maior tempo de espera ou necessidade clínica.
No território gaúcho, mais de 45 estabelecimentos participaram da mobilização. Foram realizados exames como ultrassonografias e procedimentos cirúrgicos que incluíram retirada de tumores, cirurgias ginecológicas, intervenções ortopédicas, tratamento de varizes e operações relacionadas à tireoide, além de ações de planejamento reprodutivo.
Segundo o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Felipe Proenço, o mutirão representou um esforço concentrado para reduzir filas e ampliar o acesso à atenção especializada. Na avaliação do gestor, a mobilização demonstrou a capacidade de resposta do sistema público diante da demanda acumulada.
Inclusão de tecnologia contraceptiva
Entre as ações realizadas, esteve a oferta do implante contraceptivo subdérmico Implanon, incorporado como novidade nesta edição do mutirão. O método, de longa duração, possui eficácia de até três anos e foi disponibilizado dentro das políticas de ampliação do acesso a métodos contraceptivos no SUS.
Especialistas em saúde reprodutiva avaliam que a inclusão de tecnologias como essa pode ampliar as opções disponíveis às mulheres, mas destacam que a escolha do método deve considerar avaliação individual e orientação profissional.
Parcerias ampliaram capacidade do sistema
A realização do mutirão contou com a participação de hospitais universitários, unidades federais e instituições filantrópicas. Entre elas, a rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares teve papel relevante ao disponibilizar estruturas vinculadas a universidades federais em diferentes estados.
Representantes do setor filantrópico apontam que a integração com o sistema público permite ampliar a capacidade de atendimento em ações pontuais, enquanto gestores destacam que esse tipo de parceria contribui para reduzir a demanda reprimida.
Transporte gratuito facilitou acesso
Como parte da estratégia para garantir a presença das pacientes, o mutirão incluiu a oferta de transporte gratuito por meio de parceria com a empresa 99. Foram disponibilizados milhares de vouchers para deslocamentos de ida e volta, especialmente para mulheres que precisavam percorrer maiores distâncias até os locais de atendimento.
A distribuição foi feita pelas secretarias municipais de saúde, responsáveis também por orientar as pacientes sobre o uso do benefício. No Rio Grande do Sul, os deslocamentos contemplaram hospitais universitários em cidades como Santa Maria, Pelotas e Rio Grande.
Estratégia integra política de redução de filas
O mutirão integra um conjunto de ações do programa Agora Tem Especialistas, criado pelo governo federal para ampliar o acesso à atenção especializada no SUS. Antes desta edição, outras três já haviam sido realizadas ao longo de 2025, totalizando mais de 127 mil procedimentos em todo o país.
Além das ações concentradas, o programa prevê medidas como ampliação de horários em unidades de saúde, uso de unidades móveis e parcerias com hospitais privados para atendimento complementar. Segundo gestores públicos, a combinação dessas estratégias busca reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias.
Pesquisadores da área de saúde coletiva apontam que iniciativas como mutirões podem contribuir para aliviar demandas acumuladas no curto prazo, mas destacam que a continuidade de políticas estruturais e o financiamento adequado do sistema são fatores determinantes para resultados duradouros.
