A Universidade do Distrito Federal Professor Jorge Amaury Maia Nunes (UnDF) acionou a Justiça, nesta sexta-feira (20), com um pedido de reintegração de posse contra o movimento OcupaUnDF. A ação, que tramita na 1ª Vara da Fazenda Pública do DF, solicita autorização para uso de força policial e arrombamento para retirada dos manifestantes que ocupam o Campus Norte desde o dia 18 de março.
A reitoria argumenta que a ocupação é irregular e compromete o funcionamento do serviço público educacional. No processo, a universidade afirma que tentou negociar por meio de um grupo de trabalho, mas que os estudantes condicionaram a desocupação à destituição da gestão. A administração também aponta indícios de instrumentalização política no movimento.
Resistência e denúncias de autoritarismo
Do outro lado, o movimento estudantil contesta a versão oficial. A presidente do Diretório Central Acadêmico (DCA) Ponta de Lança, Bárbara Oliveira, classifica a gestão como “autoritária” e acusa a reitoria de romper acordos prévios de negociação.
Segundo ela, reuniões foram desmarcadas após uma desocupação parcial do prédio, que teria sido entregue limpo pelos estudantes. “Eles entraram com uma ação judicial de reintegração de posse, mas vai ser arquivado porque a gente já tinha entregue o campus limpo do jeito que nós prometemos”, afirmou Oliveira em declaração recente. A representante também denunciou que materiais informativos do movimento foram arrancados de forma agressiva pela prefeitura universitária.
A greve estudantil tem como base denúncias de precarização estrutural, incluindo um passivo de R$ 219 milhões apontado pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF).
Docentes também entram em greve
A crise se intensificou com a adesão dos professores. O Sindicato dos Docentes da Universidade do Distrito Federal (SindUnDF) iniciou, nesta sexta-feira (20), uma greve por tempo indeterminado.
A categoria cobra a reestruturação da carreira e melhores condições de trabalho. Também critica a falta de planejamento na transferência de cursos para Ceilândia e questiona o impacto da medida na autonomia universitária.
Além da mobilização na UnDF, professores da rede pública do DF, representados pelo Sinpro-DF, realizaram uma paralisação de 24 horas na última quarta-feira (18). Entre as reivindicações estão a nomeação de aprovados em concurso e o fim da precarização dos contratos temporários.
Transferência de campus acirra conflito
O principal ponto de tensão é a transferência de cursos para uma unidade alugada do Centro Universitário Iesb, em Ceilândia.
Estudantes de regiões como Planaltina e Sobradinho alertam para o risco de “exclusão educacional indireta”, com aumento no tempo de deslocamento e nos custos de transporte.
A reitoria defende a mudança como estratégia de expansão para atender a região mais populosa do DF. Já a comunidade acadêmica questiona o uso de recursos públicos para pagamento de aluguel, em vez de investimento em infraestrutura própria.
O movimento OcupaUnDF afirma que seguirá mobilizado até que haja uma abertura efetiva de diálogo.
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