PRA NÃO ESQUECER

Assembleia Legislativa homenageia vítimas da covid-19 com mostra de capas de jornais

Iniciativa do deputado Pepe Vargas, a exposição Capas da Memória marca o Dia Estadual em Homenagem às Vítimas da Covid19

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A mostra está localizada no espaço de exposições Deputado Carlos Santos, no térreo do Palácio Farroupilha e permanecerá até o final da semana
A mostra está localizada no espaço de exposições Deputado Carlos Santos, no térreo do Palácio Farroupilha e permanecerá até o final da semana | Crédito: Claudio Fachel / ALRS

Foi aberta na manhã desta terça-feira (24), Dia Estadual em Homenagem às Vítimas da Covid19, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, a exposição Capas da Memória. A iniciativa do deputado Pepe Vargas (PT) coloca as capas de jornais gaúchos que noticiaram a pandemia da covid-19 e o combate travado pela população com as autoridades sanitárias e o Sistema Único de Saúde (SUS). Entre as capas expostas está a da última edição quinzenal impressa do Brasil de Fato RS, em março de 2020, com o título “Coronavírus, a Hora da Batalha“ sobre um fundo verde.

A mostra está localizada no espaço de exposições Deputado Carlos Santos, no térreo do Palácio Farroupilha e permanecerá até o final da semana. Autor do projeto que deu origem à Lei nº 16.131/2024, instituindo a data no calendário oficial do estado, Pepe Vargas ressaltou, durante a abertura, que preservar a memória é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa. Segundo ele, o esquecimento abre espaço para a repetição de erros e tragédias. “O direito à memória, à verdade e à justiça são pilares de uma sociedade democrática. Sem lembrar o que aconteceu, não conseguimos projetar o futuro”, afirmou.

O parlamentar enfatizou a importância da imprensa no enfrentamento à pandemia, especialmente diante do negacionismo e da desinformação. Ele destacou a criação de um consórcio independente de veículos de comunicação no Brasil, que garantiu à população acesso a dados confiáveis sobre a covid-19. “Foi uma iniciativa inédita, fundamental para combater as fake news e informar corretamente a sociedade.”

Vargas explicou ainda que a escolha do dia 24 de março como marco estadual remete à primeira morte por covid-19 registrada no estado, em 2020. Para ele, a data simboliza não apenas o luto, mas a necessidade permanente de políticas públicas voltadas às vítimas e seus familiares. O deputado chamou atenção para lacunas ainda existentes, como a ausência de políticas específicas para órfãos da pandemia e a falta de protocolos claros para atendimento de pessoas com covid longa.

A exposição reúne dez capas de jornais que retratam momentos marcantes da crise sanitária, funcionando como um alerta coletivo para que os impactos da pandemia não sejam esquecidos. “Queremos homenagear os profissionais da imprensa e todos aqueles que estiveram na linha de frente, como trabalhadores da saúde e de serviços essenciais”, afirmou.

Sociedade civil

Representando o Conselho Regional de Medicina do RS, a Dra. Laís Del Pino Leboutte reforçou a importância da vacinação e do cumprimento de protocolos sanitários. Ela alertou que a saúde coletiva depende de ações responsáveis e contínuas.

Para a presidenta da Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (Avico), Paola Falceta, a iniciativa da exposição está diretamente ligada à defesa dos direitos humanos. “Para nós, enquanto vítimas e familiares da covid-19, os pilares da memória, da verdade e da justiça são fundamentais”, disse.

Segundo Falceta, o Brasil ainda carece de políticas mais amplas sobre o tema. “Precisamos manter viva a memória do que aconteceu ao longo desses anos. Essa é uma iniciativa clara e ainda única como política estadual. Existem poucas ações municipais e ainda não há um dia nacional instituído”, pontuou.

Já a coordenadora da Associação Vida e Justiça, Rosângela Dornelles, apontou a necessidade de manter viva a memória da pandemia como forma de valorizar a vida e evitar novos retrocessos. Segundo ela, a atuação conjunta de entidades e da sociedade civil foi decisiva durante o período mais crítico da crise sanitária. E

Dornelles fez ainda um alerta sobre a necessidade da população se vacinar. “O inverno está chegando agora, não sei o porquê insistimos em falar que as vacinas devem ser feitas no início do inverno e não no período anterior”, questionou.

O presidente da Associação Riograndense de Imprensa (ARI), José Nunes, também sustentou o papel histórico da imprensa e a importância de registrar os acontecimentos para que não sejam esquecidos. “A preservação da memória coletiva é essencial para impedir que erros do passado se repitam”, reforçou. Ele recordou os profissionais que perderam a vida durante a pandemia.

A mostra Capas da Memória, que integra as ações do Dia Estadual de Memória às Vítimas da Covid-19, pode ser visitada das 8h30 às 18h.

Editado por: Katia Marko

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