O cônsul-geral da China em São Paulo, Yu Peng, criticou nesta quarta-feira (25) o bloqueio econômico imposto pelos EUA contra Cuba e disse que Pequim seguirá apostando pela cooperação mútua na região.
“A China já disse muitas vezes que a fonte [da crise cubana] são as práticas unilaterais de sanções dos EUA contra o país”, disse o diplomata.
As declarações vêm em meio a um aumento da pressão de Washington contra o país socialista que enfrenta uma crise energética fruto do recrudescimento do bloqueio econômico.
“O isolamento induzido e a hostilidade dos EUA proibiram Cuba de obter de forma normal os seus recursos energéticos e isso afetou a vida do povo cubano”, disse Yu.
A posição da diplomacia chinesa também ocorre dias depois do primeiro lote da doação chinesa de 60 mil toneladas de arroz a Cuba partir de Xangai em direção a Havana na última quinta-feira (19)
O envio é gerido pela Agência China de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (APCID) e representa o início da entrega de uma nova remessa, diferente das 30 mil toneladas já entregues à ilha em janeiro como parte de um pacote de assistência emergencial aprovado pelo presidente chinês Xi Jinping.
“Nunca forçamos a América Latina e o Caribe a participar de nenhum bloco político”, disse o cônsul. “Nossa cooperação com a América Latina e o Caribe é pela amizade, pelo benefício e respeito mútuos”.
Os posicionamentos e doações da China ocorrem em meio a uma mobilização internacional crescente de apoio a Cuba. O governo brasileiro também já anunciou o envio de mais de 20 mil toneladas de alimentos ao país, por meio do Programa Mundial de Alimentos da Organização das Nações Unidas (ONU) e uma remessa de medicamentos de primeira necessidade já foi entregue.
Em paralelo, movimentos populares e organizações políticas de várias partes do mundo organizam caravanas para levar insumos e demonstrar solidariedade ao país.
Irã e EUA
O cônsul chinês ainda criticou o ataque dos EUA e de Israel contra o Irã e disse que “o mais imperativo é parar as ações militares para prevenir as guerras”.
“As práticas dos EUA e de Israel ao atacarem ao Oriente Médio sem autorização da ONU e durante as negociações com o Irã pioraram de forma óbvia o direto internacional”, disse.
O diplomata também fez um apelo à construção de uma ordem multipolar que, segundo ele, deve ser sustentada pelos grandes países do mundo, como os EUA.
“Os EUA são o país mais poderoso do mundo e todos estão prestando atenção em suas práticas. Todos os grandes países devem buscar criar uma ambiente seguro e multipolar”, afirmou.
15º Plano Quinquenal
As declarações do representante de Pequim foram dadas nesta quarta durante evento no consulado geral da China em São Paulo para divulgar as metas do 15º Plano Quinquenal do governo chinês.
Yu Peng reafirmou o compromisso de Pequim de investir 4,5 trilhões de yuans (3,4 trilhões de reais) do orçamento de 2026 nas áreas de educação, segurança e emprego.
“A China está passando de um modelo centrado em ‘investir em coisas’ para um equilíbrio entre ‘investir em coisas’ e ‘investir nas pessoas'”, disse.
Plano de metas que é considerado pilar central do governo chinês, o 15º Plano Quinquenal (2026-2030) foi apresentado no começo do mês de março pelo primeiro-ministro Li Qiang na abertura da reunião anual do Congresso Nacional do Povo, uma das chamadas Duas Sessões.
A novidade desta edição do plano em relação às outras é a inclusão do conceito de “nova qualidade das forças produtivas”, lançado pelo presidente Xi Jinping em 2023.
Em linhas gerais, a proposta se baseia em um modelo de crescimento ancorado em setores de inovação, como inteligência artificial, semicondutores, biotecnologia, robótica e energias renováveis, ao contrário de um modelo baseado em manufatura e exportações em massa.
“O plano coloca a construção de um sistema industrial moderno como prioridade estratégica, com aumento anual de mais de 7% nos investimentos em pesquisas e desenvolvimento. A China busca não apenas escala, mas excelência tecnológica”, afirmou o cônsul.
