Guerra dia 26

Irã diz que não quer negociar com EUA e exige indenização pela guerra

Teerã admite receber 'mensagens' de Washington, mas pretende continuar resistindo, afirmou chanceler

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Manifestação em Teerã a favor do governo nesta quarta-feira (25)
Manifestação em Teerã a favor do governo | Crédito: AFP

Embora admita receber “mensagens” vindas dos EUA, por meio de intermediários, o Irã afirmou que não deseja negociar com a adminstração de Donald Trump e exige indenizações pelos danos causados pela guerra iniciada há 26 dias por Washington e Israel. As declarações foram feitas nesta quarta-feira (25) pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi.

A intenção iraniana “não é negociar”, mas “continuar resistindo”, disse Araghchi, que afirmou ainda que “falar em negociações agora equivaleria a reconhecer derrota”. Ele disse que o Irã quer ‘pôr fim à guerra em suas próprias condições”.

O ministro disse que os EUA não conseguiram atingir seus principais objetivos de guerra contra o Irã, incluindo uma rápida vitória militar e a mudança de regime em Teerã, e que os países vizinhos devem se distanciar dos estadunidenses.

Segundo Araghchi, a resposta iraniana mostrou ao mundo que nenhum país pode ameaçar sua segurança. Seu país, segundo ele, não busca a guerra, quer um fim permanente para o conflito e exige compensação pela destruição causada.

O chanceler iraniano disse ainda que esta guerra não é nem iraniana nem estadunidense, mas sim um conflito para o qual Israel empurrou os EUA e que a prioridade dos Estados Unidos é a segurança israelense, com bases regionais estadunidenses estabelecidas para proteger Tel Aviv.

Abbas Araghchi disse ainda que Israel investe no projeto de “Grande Israel“, que prevê o controle de territórios em vários países da região.

Mais ameaças

Já a Casa Branca disse estar negociando o fim do conflito, mas advertiu que o presidente Donald Trump “vai desencadear o inferno” se Teerã não aceitar um acordo. Teerã repete desde segunda-feira que são falsos os relatos de negociação.

Trump anunciou nesse dia que havia decidido retirar sua ameaça de atacar a infraestrutura energética iraniana porque Teerã havia aceitado essas conversas por meio de intermediários.

“Se o Irã não aceitar a realidade do momento atual, se não entender que foi derrotado militarmente e que continuará sendo, o presidente Trump garantirá que receba golpes mais duros do que quaisquer que já tenha recebido antes”, declarou a porta-voz estadunidense Karoline Leavitt.

“O presidente Trump não está blefando e está preparado para desencadear o inferno. O Irã não deve se enganar novamente”, acrescentou.

Questionada sobre os detalhes de um plano dos EUA com 15 exigências para Teerã, Leavitt afirmou que havia “elementos verdadeiros” nas informações a esse respeito.

Trump adiou, por causa da guerra, sua viagem à China para se reunir com o presidente Xi Jinping para os dias 14 e 15 de maio.

A Casa Branca evitou comentar se o reagendamento formal da visita significava que Trump esperava que a guerra com o Irã, um dos aliados geopolíticos mais próximos da China, terminasse até lá.

“Sempre calculamos aproximadamente de quatro a seis semanas (para a duração das operações militares contra o Irã), então podem fazer as contas”, disse Leavitt. A porta-voz se recusou a dizer com quem os Estados Unidos negociam, após o assassinato do líder supremo Ali Khamenei.

Seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei, não foi visto em público. Alguns relatos sugeriram que o interlocutor do governo Trump é Mohammad-Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e uma de suas figuras não clericais mais proeminentes.

A porta-voz também se recusou a confirmar as informações de que altos funcionários dos EUA, incluindo o vice-presidente JD Vance, pretendem manter conversas com os iranianos no Paquistão, que se tornou um mediador-chave.

Editado por: Thaís Ferraz

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