As mulheres são a principal força demográfica das áreas urbanas do Distrito Federal, somando 52,6% da população total. Esse grupo representa mais de 1,5 milhão de trajetórias e vivências que movimentam a capital diariamente.
Apesar do protagonismo numérico, a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios Ampliada (PDAD-A) 2024, realizada pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IpeDF), expõe abismos estruturais persistentes. A desigualdade se manifesta de forma aguda na divisão do trabalho não remunerado dentro das residências.
Raça e ciclo de vida
As mulheres no Distrito Federal são majoritariamente negras, com pretas e pardas representando 56,3% da população feminina. Em contrapartida, as mulheres que se identificam como brancas, indígenas ou amarelas somam 43,7% do total.
Com uma idade média de 36 anos, a presença feminina é mais expressiva nas etapas da vida adulta e na terceira idade. Elas ocupam 45,7% da faixa adulta urbana, superando os 43,8% registrados entre o público masculino.
No topo da pirâmide etária, 14,2% das mulheres são idosas, enquanto os homens representam 11,2% nessa mesma etapa do ciclo. Já na infância e adolescência, os índices masculinos são ligeiramente superiores aos femininos no território.
Sobrecarga e maternidade
Um dos dados mais alarmantes da pesquisa diz respeito à jornada de cuidados e manutenção das residências domésticas. As mulheres dedicam cerca de 16,1 horas semanais aos afazeres do lar, quase nove horas a mais que os homens.
Enquanto eles destinam apenas 7,5 horas para essas tarefas, a sobrecarga feminina evidencia a falta de compartilhamento do cuidado. Essa desigualdade impacta diretamente o tempo disponível para estudos, lazer e a inserção no mercado de trabalho.
A maternidade também é um ponto importante, com 68,5% das mulheres maiores de idade no Distrito Federal possuindo filhos. Entre as mães, mais de um terço (33,5%) possui dois filhos, seguidas pelas que possuem apenas um (28,8%).
Desafios na autonomia
A diversidade de gênero também ganha contornos específicos na capital, onde 0,8% das mulheres se identificam como pessoas trans. Identificar esse perfil é importante para que o Estado crie políticas que garantam dignidade e direitos básicos.
Outro indicador de autonomia é o acesso à Carteira Nacional de Habilitação (CNH) entre os gêneros. Apenas 49,6% das mulheres possuem o documento, um índice significativamente inferior aos 72,5% registrados entre os homens.
Os dados da PDAD-A 2024 funcionam para mostrar a força feminina, mas também como um alerta sobre a justiça social. Reconhecer essas histórias é importante para transformar a estrutura desigual que ainda é uma barreira na capital.
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