Saúde mental

Nos EUA, Meta e Google são condenadas por provocar vício em redes sociais

Google, dona do YouTube, deverá pagar R$ 9,4 milhões, enquanto a Meta, dona do Instagram, R$ 22 milhões

Mark Zuckerberg, CEO da Meta, saindo do tribunal de Los Angeles após depor em julgamento sobre vício em redes sociais.
Mark Zuckerberg, CEO da Meta, saindo do tribunal de Los Angeles após depor em julgamento sobre vício em redes sociais. | Crédito: Apu Gomes/AFP

A Justiça dos Estados Unidos (EUA) condenou a Meta a pagar indenizações de US$ 4,2 milhões (R$ 22 milhões) e o Google, de US$ 1,8 milhão (R$ 9,4 milhões) por contribuírem para uma crise de saúde mental entre adolescentes por meio do Instagram e do YouTube. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira (25).

O processo que trata do vício em redes sociais abre brechas para que novos casos sobre esses danos à saúde mental de crianças e adolescentes causados pelas redes sociais possam ir à Justiça.

Movido por uma mulher de 20 anos, o processo narra o caso da jovem que diz ter desenvolvido vício nas redes sociais quando era menor de idade. O uso constante das plataformas teria desencadeado um agravamento da depressão provocando inclusive pensamentos suicidas.

“Discordamos respeitosamente do veredicto e estamos avaliando nossas opções legais”, afirmou um porta-voz da Meta à Agência Reuters após o anúncio da decisão. Já o advogado do Google, José Castañeda, afirmou que planeja recorrer.

Segundo o portal de notícias estadunidense Financial Times, o julgamento, que durou nove dias, concluiu que a Meta, Instagram, Facebook, e o YouTube do Google foram negligentes e responsáveis pelos danos a jovem.

Ainda de acordo com o jornal, milhares de pessoas de distritos escolares e procuradores-gerais estaduais estão buscando a justiça para pleitear indenizações contra as plataformas.

A mesma usuária também havia processado Snap e TikTok, mas as duas empresas fizeram acordos por valores não divulgados antes do julgamento.

Na terça-feira (24), um júri no Novo México considerou a Meta como responsável por não proteger crianças de conteúdo sexualmente explícito, aliciamento e tráfico de pessoas. Nesse caso, a pena da condenação foi no valor de US$ 375 milhões. A empresa afirmou que irá recorrer dessa decisão.

Outros países como a Espanha, a Austrália já proibiram o acesso às redes sociais para menores de 16 anos. Ações semelhantes estão tramitando na França e Reino Unido.

Segundo o Financial Times, o dono da Meta, Mark Zuckerberg “reconheceu que anulou uma proibição de filtros de beleza no Instagram”, ainda que especialistas analisassem que as ferramentas incentivam a dismorfia corporal. O CEO da Meta alegou que se preocupava com a “liberdade de expressão”.

“Ele também disse que a Meta não define mais metas internas para o tempo que os usuários passam na plataforma. O júri teve acesso a documentos internos de 2013 e 2022 nos quais ele e outros funcionários declararam explicitamente que aumentar o tempo gasto era uma meta ou marco, inclusive entre usuários adolescentes”, disse o jornal.

Editado por: Luís Indriunas

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