Recentemente, em uma reflexão, o assessor especial da presidência, Celso Amorim, afirmou de forma categórica: “A ordem internacional acabou! Seja do ponto de vista do comércio ou da paz e da segurança. Teremos que nos adaptar a isso, e não será fácil”. O genocídio do povo palestino, o sequestro do presidente Nicolás Maduro, o agravamento do embargo a Cuba e a guerra criminosa contra o Irã — provocada pela “classe Epstein” que atualmente governa os EUA e Israel — são os últimos capítulos deste novo estágio do sistema mundial capitalista que o Instituto Tricontinental tem chamado de hiperimperialismo.
Para navegar nesse território desconhecido, o Brasil de Fato inicia hoje uma parceria estratégica com o Clube de Discussão Internacional Valdai, principal centro de formulação da política externa russa e um dos mais influentes laboratórios de ideias do que os russos chamam de “Maioria Global”.
Como afirma a diretora-executiva do BdF, Nina Fideles, “mais do que uma colaboração pontual, trata-se de um intercâmbio editorial que combate narrativas hegemônicas sobre a Rússia e fortalece a circulação de perspectivas comprometidas com a soberania dos povos e a construção de um mundo multipolar”.
De “Davos russa” à construção da “Maioria Global”
Fundado em 2004, o Clube Valdai nasceu com o objetivo inicial de integrar a Rússia ao sistema internacional, servindo como uma ponte para que intelectuais ocidentais compreendessem as dinâmicas de Moscou. No entanto, a trajetória do Clube acompanhou a própria transformação da Federação Russa. De uma plataforma de diálogo com o Ocidente, o Valdai se tornou o epicentro da ruptura teórica com o unipolarismo estadunidense.
Como define Sergey Karaganov, presidente honorário do Conselho de Política Externa e de Defesa da Rússia e um dos fundadores do Clube: “Estamos apoiando a libertação do mundo do jugo ocidental… A era em que tentávamos nos integrar à ordem criada pelo Ocidente acabou. Quanto antes cortarmos essa dependência mental, melhor”.
A partir desta semana, o Brasil de Fato publicará regularmente traduções das análises produzidas pelos principais especialistas do Valdai. Não se trata apenas de ler a “visão russa”, mas de acessar o debate de ponta da “Maioria Global”, o conceito russo equivalente ao Sul Global.
“Em um cenário de disputa informacional global, esse intercâmbio reafirma o papel do jornalismo como espaço de construção política e diálogo entre experiências, ao mesmo tempo em que avança na construção de caminhos recíprocos de publicação e conexão entre nossos públicos”, defende Nina Fideles.
Para Oleg Barabanov, diretor de programa do Clube Valdai, “a cooperação entre os membros do Brics está no centro das nossas atividades de especialistas. É com honra e satisfação que saudamos a publicação de uma seleção de artigos do Valdai em língua portuguesa. Agradecemos ao Brasil de Fato pela colaboração”.
A partir desta semana, a nova coluna quinzenal do Clube Valdai — com curadoria do analista geopolítico do BdF baseado em Moscou, Marco Fernandes — será mais um canal de conexão para as reflexões desde o Sul (ou a Maioria) Global comprometidos com uma reflexão anti-imperialista e a construção de uma nova ordem mundial policêntrica.
