Celina Leão (PP) assume oficialmente o cargo de governadora do Distrito Federal na próxima segunda-feira (30), em sessão solene na Câmara Legislativa (CLDF), a partir das 9h. A transmissão do cargo ocorre após a renúncia de Ibaneis Rocha (MDB), prevista para esse sábado (28), motivada pelo prazo legal para sua candidatura ao Senado nas eleições de outubro.
A nova gestão, no entanto, herda um cenário de forte pressão social e instabilidade. Atos de grevistas estão planejados para acontecer em frente ao Legislativo durante a cerimônia de posse, sinalizando que a transição de governo não será acompanhada de uma trégua por parte dos movimentos sociais.
Assistência social em greve
Os servidores da assistência social, em greve há duas semanas, decidiram manter a paralisação por tempo indeterminado em assembleia realizada na última quinta-feira (26). A categoria cobra o atendimento de 19 itens de reivindicação apresentados desde janeiro de 2025, incluindo a implementação da Gratificação por Habilitação (GH).
Segundo o Sindicato dos Servidores da Assistência Social e Cultural do DF (Sindsasc), o movimento busca dar visibilidade a uma carreira que atende mais de um milhão de pessoas. O sindicato afirma que a categoria sofre com desvalorização e falta de reconhecimento por parte do poder público.
Para o presidente do Sindsasc, Clayton Avelar, o governo Ibaneis foi marcado por um tratamento discriminatório e pela resistência ao diálogo. A expectativa dos trabalhadores agora recai sobre a postura que Celina Leão adotará frente às negociações, visto que as reuniões anteriores não chegaram a avanços concretos.
A categoria aponta que o descaso governamental obrigou servidores a utilizarem recursos próprios para garantir o funcionamento básico de unidades de assistência social. Relatos indicam infraestrutura precária, falta de ventilação e equipamentos quebrados, comprometendo o atendimento às famílias em situação de vulnerabilidade.
Conflito na educação superior
Além do setor social, a educação superior também apresenta focos de resistência com o movimento OcupaUnDF e a greve dos alunos e professores da Universidade do Distrito Federal Jorge Amaury (UnDF). O conflito se intensificou após a reitoria acionar a Justiça para desocupar o Campus Norte, com pedido de uso de força policial.
Estudantes e professores criticam a precarização estrutural e a transferência de cursos para uma unidade alugada em Ceilândia. Eles consideram a mudança um risco para a permanência de alunos de regiões como Planaltina e Sobradinho, devido ao aumento de custos e tempo de deslocamento.
Bárbara Oliveira, presidente do Diretório Central Acadêmico (DCA) da UnDF, afirmou que os alunos planejam protestar no dia da posse. “Vamos tentar entrar no plenário e protestar contra a Celina”, afirma. O objetivo é mostrar a insatisfação com a nova governante e denunciar a falta de diálogo da atual reitoria.
A comunidade acadêmica também questiona o passivo de R$ 219 milhões apontado pelo Tribunal de Contas e o uso de recursos para aluguel em vez de sede própria. Para o movimento estudantil, a gestão universitária tem sido autoritária e rompeu acordos prévios de negociação com os alunos.
Desafios e herança
Celina Leão assume o Palácio do Buriti com o desafio de pacificar essas frentes e lidar com questões jurídicas próprias. A governadora é ré em um processo de improbidade administrativa referente à Operação Drácon, que apura denúncias de propina para a compra de leitos de UTI.
Enquanto Ibaneis Rocha deixa o cargo sob pressão da oposição e crises em instituições como o BRB, a nova governadora precisará administrar um cenário de incertezas. A cobrança por respostas deve aumentar com a unificação das lutas de diferentes setores em greve no DF.
Uma nova assembleia geral dos servidores da assistência social está marcada para a próxima terça-feira (31). O encontro servirá para avaliar as pautas da categoria, enquanto a greve na UnDF segue sem previsão de encerramento.
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