Entre salas de aula da Educação de Jovens e Adultos, museus históricos e espaços culturais espalhados por diferentes territórios de Pernambuco, o espetáculo Narrativas Encontradas Numa Garrafa PET na Beira da Maré inicia uma circulação estadual a partir desta sexta-feira (27), com apresentações gratuitas que seguem até o dia 12 de abril. Com direção e encenação de Anderson Leite, a montagem do Grupo São Gens de Teatro percorre o estado levando ao público histórias atravessadas por experiências periféricas, memórias do mangue e reflexões sobre desigualdades sociais.
A obra parte de uma pergunta simbólica que guia toda a encenação: o que pode caber dentro de uma garrafa PET encontrada à beira da maré. Para o grupo, cabem trajetórias marcadas por resistência, ancestralidade e sobrevivência, além da afirmação de uma arte que nasce nas margens e reivindica visibilidade. A dramaturgia é construída a partir das vivências do próprio Anderson Leite na comunidade ribeirinha da Ponte do Pina, no Recife, especialmente durante o período da pandemia, quando a pesca artesanal garantiu sustento familiar e inspirou a criação artística.
A abertura da circulação acontece em Caruaru, nesta sexta (27), às 19 horas, na EREM Professor Lisboa, no bairro Jardim Boa Vista. No sábado (28), o espetáculo chega a Garanhuns, com apresentação às 9h30 na EREM Francisco Medeiros, no bairro Magano. Já no domingo (29), a montagem será apresentada em Serra Talhada, no Museu do Cangaço, no bairro São Cristóvão, com horário ainda a ser divulgado.
A programação segue na segunda (30), em Jaboatão dos Guararapes, com sessões nas escolas EREM Bernardo Vieira, EREM Rodolfo Aureliano e EREM Frei Jaboatão, também com horários a serem confirmados. Em abril, a circulação continua pela Zona da Mata, passando por Vitória de Santo Antão no dia 10, na EREM Madre Lucila Magalhães, no bairro Redenção; por Carpina no dia 11, no Auditório da Prefeitura, no Centro; e por Paudalho no dia 12, no Cine Teatro Marco Camarotti, também no Centro. As apresentações dessas três cidades terão horários divulgados posteriormente.
Ao atravessar diferentes regiões do estado, o espetáculo conecta realidades e amplia o diálogo com públicos diversos, ocupando tanto escolas públicas quanto equipamentos culturais. Em cena, temas como racismo, homofobia, machismo, violência policial e vulnerabilidade social são abordados a partir de uma perspectiva que valoriza os saberes periféricos e as experiências de corpos historicamente marginalizados.
Com elenco formado por Fagner Fênix, André Lourenço, Israel Alves, Hblynda Morais e Monique Sampaio, a montagem se constrói a partir do universo do mangue, das palafitas e da maré, criando um ambiente simbólico que mistura memória, denúncia e poesia. Ao longo da circulação, o Grupo São Gens reafirma a arte como ferramenta de transformação social e de construção de novos caminhos de equidade.
