A primeira atividade do 1º Encontro Nacional do Mãos Solidárias reuniu educadores, parlamentares e lideranças dos movimentos populares, nesse sábado (28), no Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), no Recife. Ao longo de três dias, o encontro tem o objetivo de consolidar a identidade da campanha, fortalecer o trabalho de base nas periferias urbanas e apontar os desafios organizativos para o ano de 2026.
Durante a abertura, a deputada estadual Rosa Amorim (PT-PE) destacou que a campanha nasceu durante a pandemia de covid-19, em um dos períodos mais críticos da história recente do país, com o objetivo de enfrentar a fome e o avanço do conservadorismo nas periferias.
Segundo ela, a experiência construída em Pernambuco se transformou em uma tecnologia social de mobilização popular. “Foi aqui nessa terra que nasceu essa experiência social, popular, de trabalho com o povo, que salvou vidas, mas que construiu uma tecnologia social de organização e mobilização do povo pra luta.”
O deputado estadual João Paulo (PT-PE), ex-prefeito do Recife, também participou da atividade e ressaltou a importância da solidariedade organizada no combate à fome no país. Ele relacionou a atuação do Mãos Solidárias nas cidades com a luta histórica do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no campo. “É inadmissível que um país de dimensão continental, com tanta terra para plantar, ainda tenha brasileiras e brasileiros sem ter o que comer”, declarou, defendendo a resistência popular e a organização coletiva.
O embaixador de Cuba no Brasil, Victor Cairo, relembrou o histórico de parceria da ilha do Caribe com o MST e agradeceu as diversas demonstrações de solidariedade ao povo cubano em razão do asfixiamento energético imposto pelos Estados Unidos.
“Muito obrigado pelas diferentes mostras de solidariedade do povo brasileiro ao povo cubano. Hoje, Cuba precisa dos amigos, e os amigos precisam estar junto quando os amigos tem grandes problemas”
A vereadora de Olinda Eugenia Lima apontou que, diante do avanço da extrema direita e de projetos conservadores nos territórios, iniciativas como o Mãos Solidárias cumprem um papel estratégico ao organizar o povo, enfrentar a fome e reconstruir a esperança nas comunidades.
Representando os movimentos sociais e a juventude, Daiane Araújo, do Levante Popular da Juventude, destacou que a solidariedade deve ser compreendida como um princípio revolucionário de transformação social.
O evento reúne principalmente mulheres trabalhadoras das cozinhas solidárias, mulheres participantes das jornadas de alfabetização e jovens que atuam como alfabetizadores populares nos territórios.
Campanha
A campanha Mãos Solidárias nasceu em 2020, no período mais crítico da pandemia de covid-19. Diante do negacionismo do governo federal, a campanha lançou mão de uma mobilização centrada no lema “Povo Cuidando do Povo”.
Assentamentos de reforma agrária doavam alimentos que eram transformados em refeições nas cozinhas populares solidárias, instaladas em diversas comunidades da periferia do Recife, e distribuídos para a população mais vulnerável ao vírus nesses territórios.
A campanha também formou os Agentes Populares de Saúde, que atuavam na orientação e prevenção ao vírus. Hoje, ela tem alcance nacional e segue com ação das cozinhas populares solidárias, alfabetização de jovens e adultos, formação de jovens nas periferias e ações de cuidado com o meio ambiente.
