ALÍVIO

Petroleiro russo chega a Cuba com ajuda humanitária apesar de bloqueio dos EUA

Ilha recebe seu primeiro carregamento de petróleo em três meses

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Uma ativista acena com uma bandeira cubana a bordo da embarcação Maguro -- simbolicamente renomeada "Granma 2.0" em homenagem ao iate usado pelos guerrilheiros de Fidel Castro para lançar sua revolução em 1956 -- que chega do México com ajuda humanitária como parte do comboio Nuestra América, atracando no porto de Havana em 24 de março de 2026
Embarcação Maguro, que viajou do México com ajuda humanitária para Cuba em março de 2026 | Crédito: Yuri Cortez/AFP

O petroleiro russo Anatoly Kolodkin chegou nesta segunda-feira (30) a Cuba e aguarda descarregamento no porto de Matanzas, informou o Ministério dos Transportes da Rússia. A embarcação transporta aproximadamente 100 mil toneladas de petróleo classificadas como ajuda humanitária, em contexto de asfixia energética causada pelo bloqueio dos Estados Unidos.

A carga navegou sob bandeira russa e sem escolta militar e, segundo o governo da Rússia, o navio foi inicialmente acompanhado por uma embarcação de guerra da Marinha Russa durante a travessia do Canal da Mancha. No entanto, após entrar no Atlântico, a embarcação prosseguiu sua viagem de forma independente até chegar a Cuba.

Esta foi a primeira chegada de um petroleiro à ilha em três meses, após os Estados Unidos pressionarem a Venezuela e o México a reduzirem ou interromperem o fornecimento de energia a Cuba. Como resultado, a ilha não recebe petróleo desde 9 de janeiro, uma interrupção que levou a uma deterioração contínua do sistema energético e a dificuldades para a população, que depende do combustível para serviços essenciais e para o funcionamento da economia.

Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, afirmou que Moscou está preocupada com o aumento das tensões em torno da ilha e garantiu que manterá uma posição de solidariedade com o governo cubano. Depois, o porta-voz presidencial russo, Dmitry Peskov, reiterou o apoio de Moscou e explicou que as autoridades russas estão discutindo mecanismos para ajudar Cuba no que ele descreveu como uma situação difícil.

“Estamos em constante diálogo com a liderança cubana e, naturalmente, discutindo como ajudar a ilha nesta situação tão difícil”, afirmou, enfatizando que as medidas seriam debatidas com as autoridades cubanas.

“Estamos satisfeitos que este carregamento de derivados de petróleo esteja a caminho da ilha, ou melhor, que já tenha chegado”, indicou o porta-voz. Peskov observou que Cuba está “sob um bloqueio muito severo” e precisa de derivados de petróleo e petróleo bruto “para o funcionamento dos sistemas de suporte à vida no país, gerar eletricidade, e fornecer serviços médicos e outros serviços à população”.

Em declarações anteriores, o porta-voz também indicou que a Rússia está preparada para fornecer “toda a assistência possível” e especificou que as questões estão sendo tratadas por meio de negociações com as autoridades cubanas.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia também expressou sua profunda preocupação com o aumento das tensões em torno de Cuba e reiterou seu apoio ao governo cubano e ao seu “povo irmão” diante do bloqueio e da pressão dos EUA. Em sua declaração, Moscou afirmou que a nação enfrenta “desafios sem precedentes” relacionados ao embargo comercial, econômico, financeiro e, mais recentemente, energético.

Nesse sentido, a Rússia enfatizou o conceito de “solidariedade inabalável”, considerando o fornecimento de petróleo e a cooperação logística como parte da resposta a uma situação agravada por decisões externas e restrições prolongadas.

Com essa chegada, a Rússia se posiciona mais uma vez como um ator fundamental na resposta humanitária e energética, em um momento em que Cuba busca manter serviços essenciais e reduzir os efeitos da escassez. A ilha perdeu seu principal aliado regional e fornecedor de petróleo em janeiro, a Venezuela, quando forças estadunidenses sequestraram o presidente Nicolás Maduro.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor tarifas a qualquer país que enviasse petróleo a Cuba e chegou até a sugerir a possibilidade de “tomar” a ilha. Contudo, no domingo (29), Trump disse que não tem nenhum problema com a entrega de petróleo de Moscou a Havana.

“Cuba está acabada, tem um regime ruim, dirigentes muito ruins e corruptos e, consigam ou não um navio de petróleo, não vai importar”, disse à imprensa.

“Eu preferia deixar entrar, seja da Rússia ou de qualquer outro, porque as pessoas precisam de aquecimento, refrigeração e de todas as outras coisas necessárias”, acrescentou o presidente magnata.

Editado por: Rafaella Coury

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