um mês de guerra

EUA subestimaram resiliência do Irã e negociação é improvável, afirma analista internacional

Henrique Gomes aponta erro estratégico dos EUA, que se enfraquece na mesma medida em que se vê refém de Israel

No audio source provided.
This picture taken on March 31, 2026 shows an Anti-US banner displayed in Tehran. Iran's Revolutionary Guards said on March 31, that they would target leading US technology firms like Apple, Google and Meta if more Iranian leaders were killed in "targeted assassinations". (Photo by ATTA KENARE / AFP) /
Banner colocado nas ruas de Teerã reforça posição contra os ataques de EUA-Israel ao país; imagem feita em 31 de março | Crédito: Atta Kenare/AFP

O governo de Donald Trump tem dado cada vez mais sinais contraditórios que evidenciam fragilidade na guerra contra o Irã, que segue mantendo a posição de que não abrirá qualquer negociação com os Estados Unidos.

“Esse primeiro mês mostrou que os EUA incorreram em um grande erro estratégico nessa guerra. Eles subestimaram a capacidade militar do Irã, a capacidade de resiliência iraniana, cederam às pressões de Israel para iniciar esse conflito e até perderam popularidade dentro da base aliada do governo Trump. O lema America First agora é posto em xeque ao se tornar refém do próprio Netanyahu (Benjamin, premiê de Israel), já que ao invés de estar preocupado com o cidadão norte-americano, o governo está em guerra em função de Israel”, avalia Henrique Gomes, analista internacional e doutorando em ciência política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

Nesta terça-feira (31), Teerã anunciou que atingiu uma base secreta e um alojamento estadunidense nos Emirados Árabes e no Bahrein. “Os analistas internacionais costumam dizer que existe uma espécie de Guerra Fria no Oriente Médio: de um lado o Irã xiita e do outro a Arábia Saudita sunita alinhada ao eixo ocidental. É um conflito que tem caráter religioso e geopolítico”, explica Gomes. Para ele, o conflito já assumiu contornos regionais, quando, “nos primeiros dias, o Irã retaliou os países do Golfo Pérsico” alinhados aos Estados Unidos.

O analista lembra que, apesar de o foco atual do Irã estar nos ataques direcionados a bases militares dos Estados Unidos, houve ações contra aliados, que poderão promover retaliações. “Há ataques de Israel contra o Líbano em função do Hezbollah, que é um ator pró-Irã, então é um conflito que tem proporções maiores. A depender de como eles irão retaliar, essa proporção pode escalonar mais”, explica, ao mencionar que não é possível descartar uma ação de países árabes liderados pela Arábia Saudita.

Gomes define como expressão da tradição diplomática coercitiva, ou “diplomacia do porrete”, a declaração do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, de que o país está preparado para “negociar com bombas”. “Os EUA defendem negociações diplomáticas cordiais mas respaldadas por ameaças diretas militares: ‘Vamos negociar, mas estou com um porrete, ou melhor uma ogiva nuclear’, apontado para sua cabeça”.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Thaís Ferraz

|

Newsletter