Diretas Já

Oposição na Alerj defende voto popular para definir governo do Rio de Janeiro

Imbróglio na linha sucessória pode levar população às urnas duas vezes este ano para escolher governador

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Governador Cláudio Castro comemora a reeleição de Rodrigo Bacellar a presidência da Alerj em fevereiro de 2025
Governador Cláudio Castro comemora a reeleição de Rodrigo Bacellar a presidência da Alerj em fevereiro de 2025 | Crédito: Reprodução/Redes Sociais / Cláudio Castro

Uma ação da oposição na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) propõe solucionar o imbróglio na linha sucessória do governo estadual com a realização de eleições diretas. Pela proposta, que vem ganhando força nos partidos e no entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), a população fluminense poderá ir às urnas escolher a chapa para exercer o mandato tampão. 

O STF marcou para o dia 8 de abril o julgamento que vai definir se a eleição será indireta, pelos deputados estaduais, ou por voto popular. A ação foi aberta pelo PSD, partido do ex-prefeito Eduardo Paes que saiu do cargo para disputar o governo do Rio. 

A dupla vacância no Executivo foi aberta pela renúncia e cassação do ex-governador Cláudio Castro (PL), condenado no escândalo do Ceperj. Sem presidência na Alerj, assumiu interinamente o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto de Castro.

A saída de Castro na véspera do julgamento foi interpretada por ministros como tentativa de burlar a Justiça Eleitoral e o que determina a sucessão nesse caso. Isso porque, segundo o Código Eleitoral, se a chapa é cassada com mais de seis meses antes do fim do mandato, a eleição deve ser direta. Pela Constituição do Estado do Rio, a regra para renúncia prevê eleição indireta pelos deputados da Alerj.

“Diretas Já”

Em meio a reviravoltas na última semana, a deputada estadual Renata Souza (Psol) divulgou um manifesto intitulado “Por Eleições Diretas Já”. A parlamentar defende a mobilização do conjunto da sociedade pelo direito de escolher o próximo governador do Rio. 

“A ganância de resolver a sucessão a toque de caixa conseguiu resistência da oposição na Alerj e a suspensão da Justiça, interrompendo o golpe institucional em pleno curso”, descreve. O texto também denuncia que houve “oportunismo” da extrema direita diante do caos institucional na política fluminense.

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“A condenação de Cláudio Castro e a prisão do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar abrem mais uma dupla vacância no poder, mas são apenas o sintoma de algo mais terrível e profundo que arrasta o estado há décadas para o fundo do abismo. O Rio de Janeiro tem produzido um amálgama entre o crime, a violência e a política que não será resolvido devolvendo o poder ao mesmo campo político que lhe deu sustentação até agora: o BOLSONARISMO GOLPISTA e inimigo dos interesses do povo brasileiro”, pontua.

Confira a linha do tempo da linha sucessória no Rio:

2025 

Maio – Castro indica seu vice-governador Thiago Pampolha (MDB) para assumir o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). 

De olho nas eleições, a manobra permitiu que o então presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), fosse o primeiro na linha sucessória. 

Novembro – O deputado do União foi governador interino do Rio durante três dias enquanto Castro se ausentou para assistir à final da Libertadores em Lima, no Peru.

Dezembro – Principal aliado de Castro, Bacellar é preso na Operação Unha e Carne, da Polícia Federal (PF), que investigou a ligação de políticos fluminenses com o Comando Vermelho (CV). Alerj passa a ser presidida interinamente pelo deputado Guilherme Delaroli (PL).

2026

10 de março – TSE define a data para retomar julgamento de Castro no escândalo do Ceperj, após pedido de vista do ministro Kássio Nunes Marques.

No centro das acusações está a nomeação de cabos eleitorais para cargos públicos em estruturas do Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos (Ceperj) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

23 de março – Na véspera do julgamento e com placar desfavorável, Castro decide antecipar a renúncia para se livrar da cassação com a justificativa de concorrer ao Senado. 

Desde então, assume o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto de Castro. Delaroli não ocupa lugar na linha sucessória por ser interino. 

24 de março – TSE forma maioria para condenar Castro por abuso de poder político e econômico na campanha à reeleição, em 2022. 

A decisão também condena e torna inelegíveis até 2030 o ex-governador, o ex-vice-governador Thiago Pampolha, e o presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar.

26 de março – Na Alerj, deputados de extrema direita se articulam às pressas para eleger Douglas Ruas (PL). Na prática, a presidência da Casa seria palanque para o pré-candidato exercer o cargo de governador do estado até o fim do ano.

No mesmo dia, a Justiça do Rio anulou a votação, considerando que o processo só poderia ser deflagrado após a retotalização dos votos

27 de março – Em mais uma reviravolta, e abrindo caminho para o voto popular, decisão liminar do ministro do STF Cristiano Zanin suspendeu a eleição indireta (quando os deputados decidem) para o mandato tampão. 

A medida responde a uma ação do PSD, partido do ex-prefeito Eduardo Paes que deixou o cargo para disputar o governo do Rio.

No mesmo dia, o ministro Alexandre de Moraes determina nova prisão de Rodrigo Bacellar. 

30 de março – Oposição defende que o voto popular (eleição direta) é a melhor solução para o imbróglio na linha sucessória. População fluminense poderá ir às urnas no dia 21 de junho escolher mandato tampão.

Na contramão, Partido Liberal (PL) solicitou ao STF que o governo interino seja transferido para o futuro presidente da Alerj. O caso será julgado no dia 8 de abril.

31 de março – Justiça eleitoral vai retotalizar os votos recebidos pelo deputado cassado Rodrigo Bacellar das eleições de 2022. A definição de um novo processo eleitoral para a presidência da Alerj depende da contagem.

8 de abril – STF vai decidir se a eleição para o mandato tampão será indireta (pelos deputados estaduais), ou direta, por voto popular. Até lá, permanece no cargo Ricardo Couto de Castro.

Editado por: Vivian Virissimo

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