A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) foi formalizada pelo governo nesta quarta-feira (1) e agora terá que passar pelo crivo do Senado. Se, no final do ano passado, havia uma tensão na Casa Alta pela decisão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a aposta do Planalto é que, agora, a poeira baixou e o advogado-geral da União pode ter uma aprovação tranquila no Congresso.
A insatisfação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), com o nome de Messias se deu por um desejo de que a indicação de Lula fosse ao também senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Quatro meses depois do anúncio do governo, o próprio Pacheco já tem outros planos.
Agora, Alcolumbre recebeu a carta com a indicação de Lula e deu sinais de que não trabalhará contra o nome de Messias.
O presidente do Senado ainda não marcou a sabatina de Messias. A leitura no Congresso é de que é “pouco provável” que ele marque no segundo semestre, período em que a maior parte dos políticos estará empenhada na corrida eleitoral. Para o governo, é possível que Alcolumbre retarde a votação, mas que acabe fazendo no final deste semestre para resolver as principais pendências do Senado ainda nos primeiros seis meses do ano.
Messias entende que terá que passar novamente pelo Congresso pedindo apoio dos senadores. Ele já havia feito um périplo em 2025 tentando angariar votos logo depois do anúncio feito por Lula, mas terá que repetir a dose se quiser buscar os que faltam e sensibilizar especialmente os congressistas do centrão.
“Darei continuidade à minha jornada no Senado com humildade e fé. Buscarei novamente o diálogo com todos os senadores e senadoras, pois este é um momento que exige entendimento”, afirmou Messias.
Um aliado improvável, mas importante, nessa busca é o ministro do STF André Mendonça. Indicado pelo bolsonarismo, o magistrado declarou apoio a Messias. Em evento da Convenção Nacional das Assembleias de Deus em novembro de 2025, o atual AGU foi recebido e abraçado por Mendonça. Mesmo em lados opostos do espectro político, os dois são evangélicos e têm uma interlocução permanente com a Igreja.
Esse elemento, inclusive, faz parte da estratégia de Lula. Messias é lido como um dos ministros mais fiéis ao governo e fazer acenos ao público evangélico com um interlocutor desse porte pode ser decisivo para as eleições de 2026.
Outro ponto amenizado do descontentamento de Alcolumbre foi a insatisfação pela não comunicação de Lula. Por cordialidade, o presidente da República costuma ligar ao chefe do Senado para avisar sobre a decisão antes de formalizar a indicação, e isso não foi feito no ano passado. Essa, no entanto, não é uma exigência, e a prerrogativa de indicar o ministro do STF cabe apenas ao Executivo.
Por outro lado, agora, Lula ligou para Alcolumbre e tratou do tema. O senador não firmou o compromisso em trabalhar pela aprovação de Messias, mas a conversa despressurizou uma tensão que estava dada.
Nos cálculos do governo, faltam 16 votos para que Messias consiga o mínimo necessário (41) para a aprovação. Antes, o ministro da AGU passará por uma sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e terá seu nome votado.
Uma ala do Senado entende que, mesmo com dificuldades, Messias deve ter o nome aprovado, já que Lula indicou nomes mais “ideológicos” recentemente e que foram aprovados, como é o caso de Flávio Dino. O presidente também indicou seu advogado, Cristiano Zanin, em um momento de tensão ainda maior com o bolsonarismo, e o hoje magistrado foi aprovado.
O professor de direito constitucional Henderson Fürst concorda com a tese elaborada pelos senadores. Para ele, Messias é um nome técnico, conciliador e pode construir pontes com os senadores para uma aprovação.
“A tensão sempre existirá. Nos últimos anos, nenhuma nomeação foi simples. Mas o ministro indicado tem excelentes chances, tanto pelo perfil pessoal quanto pelas qualidades objetivas, além do cenário político. Ele é técnico, conciliador, construiu importantes pontes de diálogo com todos os setores e, para além da esfera profissional, professa valores religiosos que também o Senado ressoa”, disse ao Brasil de Fato.
