O vereador Pedro Ruas (Psol) pediu segurança ao presidente da Câmara à realização da mostra “1º de Abril 62 anos do golpe militar em charges” – montada no saguão Adel Carvalho, na Câmara Municipal de Porto Alegre (CMPA), cuja inauguração ocorre às 19h desta quarta-feira (1º). O motivo do pedido, deve-se ao fato de terem sido introduzidas algumas peças que não integram a mostra cuja curadoria é do jornalista e chargista Celso Schröder.
Além de pedir segurança para a abertura da mostra e até dia 15, quando encerra, Ruas solicitou as imagens das câmeras de vídeo do local para que seja identificado quem atacou os trabalhos. “Levaremos denúncia ao Ministério Público e ao Judiciário sobre o ataque feito à mostra”, afirmou o vereador, lembrando que a realização seguiu todo o protocolo exigido pela Casa Legislativa.

Com apoio de vereadoras de esquerda que se posicionaram ao seu lado junto ao microfone de apartes, Ruas informou que as peças em exposição são históricas e de autores consagrados, e que a mostra foi montada a partir da anuência da CMPA, em atenção a solicitação do Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH), entidade reconhecida pela Unesco, com 47 anos de atuação na defesa dos direitos humanos. “Inclusive grande parte do acervo do MJDH é tombado pela Unesco como patrimônio universal. A depredação de qualquer peça que seja parte desse acervo é crime, temos o dever de zelar essas obras”, destacou.
Os principais ataques partiram do vereador Ramiro Rosário (Novo) e da vereadora Mariana Lescano (PP). Segundo Ruas a exposição nem havia sido inaugurada e já estava sendo desqualificada nas redes sociais e modificada com desenhos sem autoria em seus painéis.

Segundo Ruas, esses ataques da ultradireita não esmorecem a sua atuação. “Sempre promovemos atividades em relação ao golpe militar e não iremos esmorecer. Tanto que a mostra vai prosseguir e no dia 8 de abril teremos uma palestra do jornalista Batista Filho, presidente de Honra da Associação Riograndense de Imprensa (ARI), no Ato de Repúdio Pelos 62 Anos do Golpe, promovido pela Associação dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Rio Grande do Sul na CMPA”, conclui o vereador.
Em sua rede social o vereador Ramiro Rosário (Novo) justifica sua posição. “Já que a esquerda tem ‘licença artística’ para fazer uma exposição sobre 1964 e falar até de urna eletrônica (que só surgiu em 1996), resolvi fazer uma ‘intervenção artística’ para complementar a obra e trazer algumas verdades.” O vereador colocou desenhos sem assinatura que colocam figuras históricas de esquerda como Joseph Stalin ao lado de Adolf Hitler, tentando desqualificar as obras expostas.
Já a vereadora Mariana Lescano (PP) afirma em seu Instagram “escancarar um problema sério”. Segundo ela, a Câmara de Porto Alegre abriga uma exposição que, sob o pretexto de retratar 1964, entrega ataques direcionados a Jair Bolsonaro, aos militares e à direita. Para a vereadora não se trata de debate histórico. “Trata-se de narrativa enviesada, com recorte ideológico claro, financiado e exposto dentro de um espaço público que deveria prezar pela pluralidade.”
A exposição
A mostra tem a curadoria do jornalista e chargista Celso Schröder. São 60 artes de 22 chargistas renomados: Alisson, Batsow, Bier, Edgar Vasques, Elias, Eugênio Neves, Fraga, Fuchs, Hals, Juska, Kayser, Lattuf, Lu Vieira, Máucio, Miguel Paiva, Moa, Sampaio, Sampaulo, Santiago, Tarso, Uberti e Schröder.
