NARRATIVA EM DISPUTA

Curso online debate como se constrói a ideia de ameaça chinesa no cenário internacional

Formação analisa disputas geopolíticas, narrativas históricas e papel da China no mundo

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Curso propõe leitura crítica sobre o papel da China e as disputas de poder no cenário global contemporâneo
Curso propõe leitura crítica sobre o papel da China e as disputas de poder no cenário global contemporâneo | Crédito: Reprodução/Hora do Povo

O avanço da China como potência econômica, tecnológica e política nas últimas décadas tem sido acompanhado por uma intensa disputa de narrativas no cenário internacional. Nesse contexto, o curso “Quem tem medo da China?”, lançado pelos pesquisadores Diego Pautasso e Isis Paris Maia, propõe analisar criticamente como se construiu, ao longo do tempo, a ideia de que o país representa uma ameaça global, articulando elementos históricos, políticos e ideológicos que ajudam a sustentar essa interpretação.

A proposta de formação parte do entendimento de que a chamada “ameaça chinesa” não é apenas uma descrição objetiva da realidade, mas também uma construção discursiva inserida em disputas de poder. Segundo os organizadores, compreender esse processo é fundamental para interpretar a atual reconfiguração do sistema internacional e o lugar ocupado pela China nesse cenário.

Raízes históricas e construção simbólica

A análise apresentada no curso situa a origem dessas narrativas em processos históricos mais amplos. Entre eles, estão conceitos como o “perigo amarelo”, associado à racialização de povos asiáticos no século XIX, e o “perigo vermelho”, ligado às disputas ideológicas do século XX durante o período da Guerra Fria. Esses elementos, de acordo com a abordagem do curso, formam um repertório que ainda hoje influencia a forma como a China é percebida.

Os pesquisadores defendem que tais construções não surgem de maneira isolada, mas se articulam a estruturas de poder e a interesses geopolíticos. Nesse sentido, o imperialismo é tratado como um sistema multidimensional que envolve não apenas dominação econômica e militar, mas também a produção de sentidos e legitimidades por meio do discurso.

A ascensão chinesa e o debate contemporâneo

Com o crescimento acelerado da economia chinesa e sua maior inserção nas dinâmicas globais, novas interpretações passaram a ganhar força. Entre as mais recorrentes estão as que caracterizam o país como uma ameaça à democracia liberal, aos direitos humanos e à ordem econômica internacional vigente.

Essas leituras incluem críticas ao modelo político chinês, frequentemente associado ao autoritarismo, além de questionamentos sobre condições de trabalho, impactos ambientais e estratégias de expansão econômica, como a chamada “armadilha da dívida”. Também aparecem interpretações que apontam para práticas de neoimperialismo em regiões da África, Ásia e América Latina.

Por outro lado, há análises que relativizam ou contestam essas interpretações. Parte da literatura acadêmica e de analistas internacionais argumenta que essas narrativas refletem, em grande medida, a perspectiva de países ocidentais e seus interesses estratégicos. Para esses autores, a ascensão chinesa representa uma mudança estrutural no equilíbrio de poder global, que tende a gerar tensões e disputas interpretativas.

Estados Unidos e a disputa por hegemonia

Outro eixo central abordado no curso diz respeito ao papel dos Estados Unidos nesse processo. A formação analisa como o país tem reorientado sua estratégia internacional diante do crescimento chinês, especialmente a partir de iniciativas como o “Pivot to Asia” e o fortalecimento de alianças militares na região.

Além disso, são discutidas medidas como a guerra comercial e tecnológica entre as duas potências, que evidenciam uma disputa mais ampla por liderança global. Para os pesquisadores, esse cenário tem levado alguns analistas a caracterizarem o momento atual como uma possível “nova Guerra Fria”, embora essa definição seja alvo de controvérsias.

Enquanto setores da política externa norte-americana defendem a necessidade de conter a expansão chinesa, outras análises apontam para os limites dessa estratégia, destacando a interdependência econômica entre os países e as contradições da ordem internacional contemporânea.

Entre críticas e idealizações

Ao propor uma leitura crítica sobre o tema, o curso busca se afastar tanto de visões que demonizam a China quanto de abordagens que a idealizam. A intenção, segundo os organizadores, é oferecer ferramentas analíticas que permitam compreender as singularidades do desenvolvimento chinês sem recorrer a simplificações.

Nesse sentido, são discutidos aspectos como o papel do Estado na economia, as transformações sociais internas e os debates sobre socialismo no século XXI. Também são abordadas as implicações da ascensão chinesa para países do Sul Global, incluindo oportunidades e desafios nas relações econômicas e políticas.

A proposta é que os participantes possam situar a China como um dos principais atores das transformações em curso no sistema internacional, analisando suas contradições e complexidades.

Formação e público

Estruturado em quatro encontros, o curso é voltado a estudantes, pesquisadores, jornalistas, profissionais de relações internacionais e formuladores de políticas públicas, além de interessados no tema. As aulas ocorrem de forma online e abordam desde fundamentos teóricos da economia política internacional até debates contemporâneos sobre geopolítica.

A formação inclui ainda materiais de apoio e espaços de debate entre os participantes, com o objetivo de aprofundar a reflexão sobre um tema que tem ganhado centralidade no cenário global.

Serviço

Curso “Quem tem medo da China?”
Local: Online, via Meet.
Datas: 13, 15, 20 e 22/04, (19h às 22h). As aulas ficarão gravadas e disponíveis por 1 ano.
O que inclui? Fórum de debates (grupo de WhatsApp), material de apoio (PPT, livros, artigos, sites) e certificação.
Investimento: R$ 295,00 (em até 12x).
Inscrições: neste link

Editado por: Marcelo Ferreira

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