política do espaço

Exploração da Lua precisa considerar benefícios para toda a humanidade, diz astrofísico sobre Artemis 2

Ramachrisna Teixeira explica o que está em jogo na disputa da corrida espacial que ganhou um novo capítulo

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This screengrab from a NASA livestream shows the Orion spacecraft approaching the Moon on April 6, 2026. The four astronauts embarking on NASA's flyby of the Moon became on April 6 the humans to travel furthest from our planet, as they began the lunar observation that is core to their mission. The Artemis II team broke the distance record set by the 1970 Apollo 13 mission, which they are expected to surpass by 4,105 miles (6,606 kilometers) when they reach this journey's anticipated furthest distance from Earth -- 252,760 miles (406,778 kilometers) -- later today. (Photo by Handout / NASA / AFP) / RESTRICTED TO EDITORIAL USE - MANDATORY CREDIT "AFP PHOTO / NASA" - HANDOUT - NO MARKETING NO ADVERTISING CAMPAIGNS - DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS
Expedição até a órbita da Lua, batizada de Artemis 2, é a primeira desde a década de 1970 | Crédito: AFP Photo/Nasa

Os quatro astronautas da missão Artemis 2, da Nasa, estabeleceram nesta segunda-feira (6) o novo recorde absoluto de distância humana no espaço. A cápsula Orion atingiu por volta das 20h seu ponto máximo de afastamento: 406.6 mil km da Terra. A missão é a primeira tripulada depois do programa Apollo, entre 1969 e 1972, em uma época em que o mundo vivia outro contexto político, mas também tecnológico.

O astrofísico e professor na Universidade de São Paulo (USP) Ramachrisna Teixeira explicou ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, qual o interesse atual em realizar uma expedição como essa.

“Do ponto de vista da intenção científica e tecnológica, o cenário é muito diferente do do que existia antes. Qualquer celular que a gente tem no bolso é muito melhor do que os computadores que se usavam naquela época. Ir para a Lua está mais ou menos ao alcance de muitos países”, afirma o astrofísico.

Entre os interesses dos países, segundo Teixeira, estão a presença de minerais críticos no solo lunar e a fusão nuclear para geração de energia — um dos elementos para esse processo, o Helio 3, é abundante na Lua. “Hoje a gente consegue fazer fusão nuclear em uma bomba de hidrogênio, mas de forma descontrolada. O Helio 3 proporciona uma fusão nuclear até um pouco mais complicada, mas mais limpa”, afirma.

Quando a missão estiver retornando à Terra, os astronautas poderão ver o “lado oculto da Lua” e ficarão por cerca de 40 minutos sem qualquer comunicação com o nosso planeta. Teixeira faz uma analogia para explicar o que acontece. “Imagina você assistindo a uma corrida de carros em uma pista circular e você está no centro desse círculo. Você está torcendo para um carro pintado metade de amarelo, metade de vermelho. Se a parte amarela está voltada para você, você sempre vai ver somente ela, e a parte vermelha ficará voltada para a parte externa da pista”, ilustra. ” É mais ou menos o que acontece com a Lua. A Lua está girando ao redor da Terra, mas ela tem um movimento. O período do movimento de rotação dela é igual ao período de translação, que é o que aconteceria com esse carro na pista. De tal forma que ela está sempre com a mesma face voltada pra Terra”.

De quem é a Lua?

Em 1967, Estados Unidos, União Soviética e Reino Unido assinaram o Tratado do Espaço Exterior, que estabelecia regras de exploração pacífica do espaço, entre elas a proibição de apropriação nacional de territórios, como, por exemplo, a Lua. No mesmo ano, alguns meses depois, o Brasil também assinou o documento. Atualmente, mais de 100 países são signatários.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Thaís Ferraz

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