Futuro sob ataque

Mais de 8 mil crianças estão desaparecidas ou sob escombros em Gaza, aponta centro palestino

Relatório denuncia agravamento da crise infantil no território com persistência da ofensiva israelense

Crianças buscam materiais em lixão no campo de refugiados de Bureij, no centro da Faixa de Gaza, em 4 de abril de 2026.
Crianças buscam materiais em lixão no campo de refugiados de Bureij, no centro da Faixa de Gaza, em 4 de abril de 2026. | Crédito: Eyad Baba/AFP

Mais de 8 mil crianças palestinas estão desaparecidas na Faixa de Gaza, incluindo cerca de 2.700 que permanecem sob escombros de áreas atingidas por bombardeios israelenses. O dado é do Centro Palestino para Pessoas Desaparecidas Forçosamente, que alerta para o agravamento da crise humanitária entre a população infantil no território.

Segundo o relatório, ao menos 21.510 crianças já foram mortas desde o início dos ataques israelenses, há cerca de 29 meses. A entidade afirma que o Dia da Criança Palestina, celebrado em 20 de novembro, ocorrerá em um cenário de “crise sem precedentes”, com impacto direto e desproporcional sobre os mais jovens.

O levantamento também identifica cerca de 200 casos de crianças desaparecidas sem qualquer informação sobre seu paradeiro, o que levanta suspeitas de desaparecimentos forçados ou de que tenham sido alvo direto das forças israelenses.

De acordo com a organização, muitos dos desaparecimentos ocorreram em situações de extrema vulnerabilidade, como durante tentativas de acessar ajuda humanitária, buscar alimentos, recolher lenha ou retornar a casas destruídas pelos bombardeios.

Infância sob ataque

Segundo o Centro Palestino para Pessoas Desaparecidas Forçosamente, testemunhos de pessoas que estiveram detidas e foram posteriormente libertadas indicam que crianças desaparecidas podem ter sido submetidas a abusos durante o período de detenção.

A permanência de milhares de corpos sob os escombros também é apontada como uma grave violação da dignidade humana, além de aprofundar o sofrimento das famílias que seguem sem respostas.

O centro atribui a responsabilidade às forças de ocupação israelenses e afirma que os números evidenciam violações ao direito internacional humanitário. Organizações e especialistas têm classificado a ofensiva como genocídio, avaliação baseada na escala da destruição e no impacto sistemático sobre a população civil.

A crise enfrentada pelas crianças se insere em um cenário de colapso das condições de vida em Gaza. Ataques recentes seguem atingindo áreas civis: nesta segunda-feira (6), ao menos dez pessoas foram mortas em um bombardeio israelense próximo a uma escola que abrigava deslocados no campo de refugiados de Maghazi, no centro do território.

Ao mesmo tempo, a infraestrutura educacional foi amplamente destruída. Dados da ONU indicam que mais de 90% das escolas foram danificadas, deixando mais de 700 mil crianças e adolescentes sem acesso regular ao ensino. Antes da guerra, Gaza tinha uma das maiores taxas de alfabetização do mundo.

A juventude também enfrenta um cenário de colapso econômico. Com cerca de 80% de desemprego e restrições severas impostas pelo bloqueio israelense, jovens palestinos vivem sem acesso a trabalho, educação ou perspectivas de futuro, em um território onde a maioria da população tem menos de 30 anos.

Diante desse quadro, o Centro Palestino para Pessoas Desaparecidas Forçosamente cobra ações urgentes da comunidade internacional e da ONU, como a criação de corredores seguros para resgate, envio de equipamentos e abertura de investigações independentes para localizar as crianças desaparecidas.

Editado por: Luís Indriunas

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