plano rejeitado

Mobilização para cessar-fogo no Irã acontece por impacto econômico global, avalia analista

Ana Prestes lembra que 'não vimos uma mobilização tão contundente para acabar com genocídio em Gaza'

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Vista do Estreito de Ormuz, corredor marítimo central para o escoamento de petróleo no mundo, na costa de Omã
Vista do Estreito de Ormuz, corredor marítimo central para o escoamento de petróleo no mundo, na costa de Omã | Crédito: Giuseppe Cacace/AFP

O Irã e os Estados Unidos negaram a proposta de cessar-fogo costurada pelo Paquistão na madrugada desta segunda-feira (6). Na semana passada, o Paquistão e a China já haviam pedido um “cessar-fogo imediato” a partir de um plano de cinco pontos.

O governo iraniano afirmou que não aceitará qualquer acordo temporário e que para eles interessa apenas o fim definitivo do conflito.

A socióloga e analista internacional Ana Prestes aponta que a mobilização em caráter de urgência com o objetivo de terminar o conflito só tem acontecido por causa do impacto econômico global. “A gente não viu uma movimentação tão contundente para cessar o genocídio em Gaza. O que a gente percebe é uma importância que está sendo dada porque o fechamento do Estreito de Ormuz está influenciando a economia global. É uma postura de quem está muito preocupado com essa questão da passagem do petróleo”, explica.

Prestes destaca a ausência de Israel, responsável direto ao lado dos EUA pelo conflito. “Não há hipótese de terminar uma guerra no Irã sem a participação ativa de Israel. Tem muitos fios soltos para que se construa uma solução para essa guerra. E é inegável: o Irã tem um grande trunfo que é o controle sobre o Estreito e eles vão usar isso ao máximo para impor aquilo que eles têm direito, porque eles são as vítimas.”

Com relação ao ultimato de Trump ao Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, que termina nesta terça-feira (7), a analista internacional avalia que o republicano é imprevisível e que, diante de tantas incoerências, o ideal é ter cautela com o que o governo estadunidense declara. “Pode ser um blefe, pode se ruma bravata. Todos os anúncios do Trump a gente tem tratado assim. Eu realmente duvido que ele tenha reunido as condições internas para essa ação [de destruir o Irã]. A gente acompanhou na semana passada uma série de rearranjos nas Forças Armadas. A situação interna dos EUA é tensa, a opinião pública tem se colocado contra a guerra, tem as eleições de meio de mandato nos EUA e Israel não conta com nenhum respaldo internacional. As oligarquias do golfo, os pretensamente amigos dos EUA, estão todos muito incomodados com essa situação, porque está prejudicando todo mundo, o turismo, o setor energético”, afirma.

Prestes destaca que os pontos colocados agora pelos EUA para um cessar-fogo eram, em linhas gerais, os mesmos colocados na mesa de negociação com o Irã horas antes de o governo Trump, ao lado de Israel, iniciar os bombardeiros contra o país persa. “É uma demonstração de prepotência, uma superestimação da própria capacidade dos EUA de conduzir essa guerra no Oriente Médio. Eles se perderam nos objetivos e perderam a capacidade de resolver a situação que eles mesmos criaram no Estreito de Ormuz”, avalia.

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Editado por: Luís Indriunas

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