Com forte influência do slam, a rapper paraibana Bixarte fala sobre como coloca em seu processo criativo questões políticas e de identidades atravessadas por tantas transversalidades. Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Bixarte fala sobre a violência contra corpos trans como o dela no país e como usa a arte para transformar realidades.
“A palavra é minha arma. O Brasil é o país que mais mata meninas como eu. Eu tenho a certeza de que o que estou fazendo é para salvar vidas. Faço música para ficar viva”, conta.
Em seu mais recente álbum, Feitiço, lançado no final do ano passado, as religiões de matriz africana estão em evidência e a artista explica seus motivos para essa escolha. “A gente ainda vive em um país em que pessoas de religiões de matriz africana são hostilizadas. Quanto mais o Brasil entender o quão ricas são as religiões de matriz africana, menos terreiros a gente vai ter queimando, menos mães de santo apanhando. A gente tem que caminhar para isso, para viver em unidade, para respeitar o outro, o espaço do outro. E acho que a arte é um caminho para essa tomada de consciência”, aponta.
Em outras faixas do novo trabalho, a cantora fala de intimidade e amor. Ela conta que, apesar de ter enfrentado barreiras quando transicionou por conta de uma não aceitação por parte de algumas pessoas próximas, teve muito apoio de outras pessoas, inclusive de sua mãe. “Eu sou muito afetuosa, eu fui muito amada. Eu cresci em um lar que minha mãe me deu muito amor. Eu cresci rodeada de pessoas e aprendi a falar eu te amo muito nova. Por mais combativa que eu seja, o amor também é uma forma de combater”, diz.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.
