Na manhã desta quarta-feira (22), cerca de 200 trabalhadores e trabalhadoras rurais e militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ocuparam em Fortaleza, a sede da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), para reivindicar respostas imediatas para demandas acumuladas junto ao órgão federal, especialmente relacionadas ao pagamento de dívidas e à execução de programas de aquisição de alimentos.
Com apoio de cooperativas agrícolas como COOPERASC, COOPERAMEL, COOPERAMUNS e COOPALC, além de outras organizações da agricultura familiar, a mobilização integra a Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, que tem como pauta também outras denúncias como atrasos nos repasses financeiros e a paralisação de projetos já aprovados em nível nacional, mas que enfrentam entraves na execução local.
De acordo com Luxímetro Araújo, do setor de produção do MST Ceará, a ocupação foi motivada por impasses que se arrastam desde o fim de 2025. “São quatro projetos aprovados pela Conab de Brasília que estão sendo dificultados aqui no estado. A gente vinha dialogando desde dezembro, mas sem avanço concreto”, afirmou. Segundo Araújo, após negociação durante a ocupação, a superintendência estadual se comprometeu a encaminhar os processos necessários para autorização e pagamento até a próxima quarta-feira (29).
Mesmo com o apontamento de resolução por parte da Conab até a próxima semana, o movimento alerta que, caso não haja cumprimento do acordo, uma nova ocupação pode ser realizada. “Se até quarta-feira nada for resolvido, a gente volta a ocupar. Os trabalhadores tiveram prejuízos com produção de leite, frutas, feijão, polpas e até criação de animais, porque não conseguem entregar e nem receber”, destacou Araújo. Ele também reforçou que uma das pautas apresentadas é a substituição da atual superintendência da Conab no Ceará, apontando falhas de gestão.
A dirigente nacional do MST, Clarice Rodrigues, destacou que a mobilização é resultado de tentativas frustradas de negociação. “Nós temos uma pauta que está empacada há muito tempo. Já estivemos aqui várias vezes para tentar resolver essas questões com a Conab e não conseguimos. São projetos entregues, alguns com produtos já fornecidos, mas sem pagamento. Estamos aqui para garantir que isso seja solucionado”, disse.
Principais reivindicações
Entre as principais reivindicações apresentadas pelo movimento estão a quitação imediata de passivos com as cooperativas, a retomada de compras diretas da agricultura familiar, a liberação de processos para formação de estoques, mudanças na gestão estadual da companhia e a garantia de orçamento contínuo para os programas de aquisição de alimentos. Um dos exemplos citados é o da COOPERAMEL, que aguarda há meses o pagamento por uma entrega de mel realizada em setembro de 2025. Já a COOPERASC relata falta de informações sobre compras programadas desde março, o que compromete o planejamento produtivo das famílias agricultoras.

O representante das cooperativas que participaram da ocupação, Antônio José Soares, destaca que a Conab precisa cumprir seu papel institucional e garantir a segurança alimentar do povo brasileiro, apoiando a agricultura familiar e a produção local, em vez de favorecer grandes intermediários. Para o movimento, os entraves na Conab impactam diretamente a economia rural e a segurança alimentar, reduzindo a capacidade de geração de renda no campo e dificultando o abastecimento de alimentos para a população.
Após negociação, o MST iniciou a desocupação do prédio, condicionada ao cumprimento do acordo firmado até a próxima quarta-feira (29).
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