Onze rosas brancas junto à parede da antiga Pousada Garoa foram a homenagem feita por lideranças da Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de Porto Alegre e pelo vereador Pedro Ruas (Psol) às vítimas do incêndio, ocorrido há dois anos. O ato simbólico na tarde deste domingo (26), em frente ao que restou do prédio na avenida Farrapos, contou com um minuto de silêncio em memória aos que morreram na ocasião.
“O que houve aqui, há dois anos, independentemente da origem do fogo, é um absurdo no que tange a falta de fiscalização, falta de cuidados e consideração do poder público, responsável pela contratação e terceirização do serviço de assistência social”, afirmou Pedro Ruas. Na sua avaliação, “as obrigações de prover toda a atenção em termos de cuidados de segurança é obrigação do município, mesmo quando os serviços são terceirizados”. Segundo ele, esses dois anos marcam uma tragédia que tem culpados que continuam impunes.
Na condição de presidente de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), realizada na Câmara Municipal de Porto Alegre, entre fevereiro e junho de 2025, especialmente para tratar desse incêndio, Pedro Ruas destacou sua inconformidade com a demora em decisões sobre a aplicação de penas aos responsáveis. “O fato de termos feito nossa parte, indicando agentes responsáveis pela tragédia, é mais um fator que me obriga a aguardar que a justiça seja feita.”
Já o coordenador da Pastoral dos Povos de Rua da Arquidiocese, Elton Bozzetto, destacou que além de se esperar justiça é muito importante que o ocorrido ali sirva de lição para a evolução em termos humanitários, em relação ao atendimento das camadas sociais mais carentes. “Precisamos evoluir e, apesar da tragédia, temos que buscar forças, coragem e ousadia para sermos melhores”, enfatizou.
Ruas pediu um minuto de silêncio em homenagem aos falecidos e que cada um depositasse uma rosa branca junto à parede, cada flor destinada aos nomes que foram lidos por ele. “Fazemos esse ato como forma de chamar a atenção da sociedade para a falta de justiça, nesse caso. Mas também para deixar claro que os problemas da falta de moradia digna e segura, para muitas pessoas, ainda é um problema da maior seriedade, o que exige muito planejamento e atenção das autoridades responsáveis”, disse o vereador.
Os nomes dos mortos no incêndio foram bordados em um quadro de tecido verde, pela jornalista Iara Maurente, durante as reuniões da CPI.
