DIREITO

Vereadores de Antônio Dias (MG) garantem plebiscito popular sobre futuro da Copasa

Medida segue exemplo de BH e coloca população no centro da decisão

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Texto determina que qualquer concessão ou transferência dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário à iniciativa privada só poderá ocorrer após consulta direta à população | Crédito: Divulgação/ Copasa

A Câmara Municipal de Antônio Dias (MG), na região do Vale do Rio Doce, aprovou o Projeto de Lei (PL) 214/2025, que prevê a realização de um plebiscito municipal para consultar a população sobre uma eventual privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). A proposta, de autoria do vereador Professor Hálesi Carvalho (Avante), foi inspirada em iniciativa semelhante apresentada pelo vereador Bruno Pedralva (PT), em Belo Horizonte.

O texto determina que qualquer concessão ou transferência dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário à iniciativa privada só poderá ocorrer após consulta direta à população. Segundo Carvalho, a medida responde à necessidade de ampliar a participação popular em decisões que impactam diretamente o cotidiano da cidade.

“O debate sobre a Copasa envolve tarifas, qualidade do serviço e acesso a direitos básicos. Quando há dúvidas ou possibilidade de mudanças, isso precisa ser tratado com transparência e participação popular”, afirmou o vereador, ao Brasil de Fato MG.

:: Relembre: ALMG aprova fim do referendo para privatizar a Copasa; saiba quais deputados votaram a favor :: 

O projeto chegou a ser vetado pelo prefeito Élcio de Almeida (PSD), mas o veto foi derrubado pelos parlamentares, em nova votação no plenário. Para o autor do PL, a decisão da câmara demonstra autonomia e compromisso com temas de interesse público. 

“A derrubada do veto sinaliza que o legislativo está colocando a população no centro desse debate”, destacou.

Na avaliação do vereador, experiências de privatização em outras regiões do país levantam preocupações, como aumento de tarifas e incertezas para trabalhadores do setor. Ele também alerta para o risco de despriorização de municípios menores. 

“Serviços de saneamento em cidades como Antônio Dias [com menos de 10 mil habitantes] nem sempre são altamente lucrativos, o que pode afastar investimentos ou concentrá-los em grandes centros”, disse.

Com a promulgação da lei após a derrubada do veto, o próximo passo será a organização do plebiscito. A expectativa é que a população seja chamada a decidir diretamente sobre o futuro da gestão dos serviços de água e esgoto no município. A iniciativa ocorre em meio ao avanço de propostas de privatização do saneamento em Minas Gerais. 

:: Leia também: Projetos para que o povo decida sobre privatização da Copasa são protocolados em cidades de MG :: 

Em Belo Horizonte, o projeto apresentado por Pedralva surgiu após debates públicos e se baseia no princípio do plebiscito como instrumento de participação direta, previsto na legislação municipal. A proposta busca garantir que decisões estruturais, como a gestão da água, sejam submetidas à vontade popular.

O projeto de lei no município de Antônio Dias ainda não foi promulgado e aguarda o trâmite burocrático para começar a valer. 

Editado por: Ana Carolina Vasconcelos

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