Nesta terça-feira (28), professores e estudantes da Universidade do Distrito Federal (UnDF) realizaram uma mobilização na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). O grupo participou de duas reuniões: uma com o deputado Chico Vigilante (PT-DF), em seu gabinete, e outra com o presidente da Casa, Wellington Luiz (MDB), além do deputado Max Maciel (Psol-DF), para cobrar o cumprimento da promessa de substituição da atual reitoria, comandada por Simone Benck.
Denúncia de perseguição
A presidente do Diretório Central Acadêmico (DCA), Bárbara Oliveira, utilizou o espaço para denunciar a criminalização do movimento estudantil, que já completa 45 dias de paralisação. “Hoje, no meio da nossa assembleia, nós fomos penalizados pela nossa greve, uma greve legítima, onde os alunos pedem melhores condições para estar na universidade, políticas públicas de permanência e restaurantes universitários”, afirmou.
A indignação dos estudantes aumentou após receberem intimações judiciais em plena atividade de mobilização. “Eu estou aqui, deputado, não só para dizer que estamos indignados com tudo que está acontecendo, mas com o escárnio ao qual a reitora tem tratado tudo isso. A proposta que ela nos mandou é muito rasa, uma falta de responsabilidade com o cargo que ocupa e com o governo que representa”, desabafou.
O presidente do Sindicato dos Docentes da UnDF (SindUnDF), Louis Blanchê, reforçou as denúncias de práticas autoritárias por parte da atual gestão durante este período de incerteza política.
Segundo ele, a reitoria tem perseguido trabalhadores. “A atual reitoria tem feito diversas notificações de assédio, como se não estivéssemos em greve, tentando contabilizar quais professores estão participando para tratá-los como faltantes”, denunciou.
Para os docentes, a urgência na troca do comando da universidade é uma questão de sobrevivência institucional. Louis destacou que a comunidade está cansada de promessas que não saem do papel. “A gente vem aqui fazer pressão e exigir a urgência dessas decisões e desses procedimentos para serem exercidos o quanto antes, pois estamos enfrentando uma situação de assédio da reitoria nesse período de indecisão”, completou o presidente do sindicato.
A professora de jornalismo Luiza Guimarães também apresentou um relato sobre o esgotamento das vias de diálogo com a administração de Simone Benck. “A gente sente que é impossível negociar com a gestão vigente. A gente sente que tudo aquilo que a gente pede, mesmo que o pedido seja um simples diálogo, é negado”, afirmou a docente.
Luiza chamou a atenção dos parlamentares para as irregularidades no processo eleitoral que a reitoria tenta conduzir sem a devida representatividade. “Nós tínhamos uma comissão eleitoral que foi, no calar da noite e sem explicação, destituída para a montagem de uma outra sem nenhum docente”, criticou.
A comunidade acadêmica também questiona o uso dos recursos públicos, especialmente o contrato de aluguel de R$110 milhões para um prédio em Ceilândia. Os estudantes defendem que esse valor deveria ser investido em assistência estudantil e na construção de sedes próprias em terrenos públicos já pertencentes ao DF.
Promessa
O presidente da CLDF, deputado Wellington Luiz (MDB), recebeu a comitiva e demonstrou surpresa com a permanência da reitora no cargo, visto que a governadora em exercício, Celina Leão (PP), já havia sinalizado a substituição. “Eu de fato estou sem entender, confesso a vocês. Porque a própria governadora fez um compromisso com vocês de que faria a substituição”, relatou.
Durante a reunião, o presidente da CLDF ligou para a governadora e trouxe uma resposta direta aos manifestantes sobre a publicação da exoneração. “Acabamos de falar com a governadora e ela disse que vai publicar no Diário Oficial do Distrito Federal, porque ela já tem o nome para a gente fazer todos os atos. Eu, de novo, confesso a vocês o que achei que essa situação estava resolvida”, pontuou.
Troca não encerra crise
O deputado Max Maciel analisou que a substituição é apenas o primeiro passo para resolver uma crise que é, na verdade, estrutural. Para ele, a UnDF precisa de uma reorganização que respeite os preceitos da carreira acadêmica.
“A universidade incorporou escolas administrativas dentro do seu rol que não fazem parte da universidade. Você tem professores com titularizações abaixo sendo coordenadores de professores com titulações acima, o que não existe na carreira universitária”, explicou.
Maciel defendeu que o novo reitor tenha um perfil específico para lidar com esse cenário de transição pedagógica e administrativa. “Talvez, além da troca da reitoria, seja uma reitoria de transição para organização do processo acadêmico da universidade. Senão, esse problema vai aparecer novamente em um segundo momento”, alertou o parlamentar.
Ao final da reunião, a sensação entre os estudantes e professores era de vitória parcial, mas com a guarda alta para os próximos passos. A promessa é que o nome do novo gestor seja divulgado em edição extraordinária do Diário Oficial ainda na noite desta terça-feira (28).
Bárbara Oliveira encerrou reforçando que a mobilização não termina com a nomeação. “Nós temos que permanecer na luta, porque sem luta não há vitória e sem luta não há direitos conquistados. Até o fim da noite teremos um novo reitor e seguiremos vigilantes”, concluiu a presidente do DCA.
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