Devo, não nego

Com Desenrola Brasil, governo ‘prova que tem ferramentas’ para combater endividamento, diz economista

Para Daniel Negreiros Conceição, uso do FGTS é visto como saída para dívidas, mas critica a manutenção dos juros altos

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Rendimento do brasileiro cresce em 2025
Rendimento do brasileiro cresce em 2025 | Crédito: José Cruz/Agência Brasil

O governo federal anunciou novas medidas para o Desenrola Brasil, o chamado Desenrola 2.0, que vai permitir o uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para renegociação de dívidas. A informação foi confirmada pelo ministro Dario Durigan, que também destacou que haverá um limite para o uso do valor. O programa pretende reduzir o nível de inadimplência no país diante de juros que ainda seguem altos.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Daniel Negreiros Conceição, economista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que o endividamento é o maior dos problemas de qualquer economia monetária. E que é importante criar mecanismos para dirimir a questão. Contudo, é preciso também atacar a origem dessas dívidas que, para muitas famílias, torna-se impagável.

“O endividamento das famílias e dos agentes privados na economia brasileira é o grande problema na maioria das economias monetárias. Isso é um sintoma de que duas coisas estão acontecendo: de que a renda das pessoas tem sido insuficiente e por isso estão recorrendo ao crédito; e que os ofertantes de empréstimos estão cobrando excessivamente por esse empréstimo”, avalia.

O economista também destaca que os agentes privados financeiros desejam garantias e que o FGTS, embora seja um elemento de seguridade social, faz esse papel nessa dinâmica. “Se o FGTS passa a ser usado como garantia para quitar uma dívida que estava perdida para os bancos também é um bom negócio. A gente está desabastecendo um pouco essa proteção mas para lidar com o endividamento que é grande.”

Apesar de avaliar como positiva a iniciativa para lidar com uma urgência, Conceição critica a continuidade da política de juros altos e considera que, sim, isso impacta na avaliação que a população tem do governo.

“O governo não conseguiu oferecer para a população o tipo de melhoria que se esperava naquele embate eleitoral contra aquele projeto de desmonte do governo anterior durante pandemia”, aponta.

“O Desenrola prova para a gente o seguinte: que o governo e a autoridade monetária têm ferramentas para mexer nos preços financeiros importantes, como por exemplo, os juros de cartões de crédito. O Desenrola mostra que o governo tem ferramentas diretas para afetar esse juros que estão incidindo sobre a dívida do brasileiro, oferecendo uma alternativa, um outro empréstimo mais barato. Isso é política monetária também, uma forma de interferir em preços financeiros. A gente costuma olhar apenas para a Selic. Mas não é a única ferramenta”, critica.

O outro grande problema, segundo Conceição, são as narrativas falaciosas, muitas vezes vocalizadas pela mídia comercial, de que a responsabilidade pelas dívidas das famílias vem do gasto público, argumento que não se sustenta.

“Por que a Selic precisa estar tão elevada? O diagnóstico convencional é que o endividamento das famílias é resultado da gastança, ou seja, dos resultados fiscais deficitários do governo. Isso é aritmeticamente estúpido. São duas carteiras diferentes, dois balanços patrimoniais diferentes”, destaca.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Luís Indriunas

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