Os Emirados Árabes Unidos vão sair da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), liderada pela Arábia Saudita, e da aliança Opep+, da qual Brasil e Rússia também fazem parte, a partir de 1º de maio, anunciou a Wam, agência de notícias emiradense, nesta terça-feira (28). A medida deve enfraquecer o cartel que controla os preços internacionais de petróleo e beneficiar os EUA, produtor que não integra o grupo.
“Esta decisão reflete a visão estratégica e econômica de longo prazo dos Emirados Árabes Unidos e a evolução de seu perfil energético, especialmente a aceleração dos investimentos na produção energética nacional”, afirmou a Wam.
Os Emirados, que entraram para o cartel em 1967, “aportaram contribuições importantes e consentiram em sacrifícios ainda maiores no interesse de todos. Mas chegou o momento de concentrarmos nossos esforços no que manda nosso interesse nacional”, acrescentou o texto da agência.
Fundada em 1960, a Opep, que reúne atualmente 12 membros, forjou em 2016 uma aliança com outros 10 países — inclusive a Rússia — sob um acordo denominado Opep+, com o objetivo de limitar a oferta e apoiar os preços diante dos desafios trazidos pela concorrência dos Estados Unidos.
Vitória para Trump
A saída dos Emirados Árabes Unidos da Opep e do seu grupo irmão, a Opep+, representa uma grande vitória para Donald Trump, que acusou a organização de “explorar o resto do mundo” ao inflacionar os preços do petróleo. O preço do petróleo Brent chegou a atingir US$ 119,50 por barril desde o início da guerra no Irã. Na terça-feira, subiu 3,4%, para US$ 111,67.
O presidente estadunidense também associou o apoio militar dos EUA ao Golfo aos preços do petróleo, afirmando que, embora seu país defenda os membros da Opep, estes “exploram essa situação impondo preços elevados ao petróleo”.
A empresa de pesquisa energética Rystad Energy afirmou à Al Jazeera que a saída dos Emirados Árabes Unidos representa uma mudança significativa para o grupo de produtores de petróleo.
“Com a demanda se aproximando do pico, o cenário para os produtores com barris de baixo custo está mudando rapidamente, e esperar a sua vez dentro de um sistema de cotas começa a parecer uma oportunidade de ouro”, disse Jorge Leon, chefe de análise geopolítica da Rystad Energy, em comunicado.
“Agora, a Arábia Saudita terá que assumir a maior parte da responsabilidade pela estabilidade dos preços, e o mercado perde um dos poucos amortecedores que lhe restavam.”
A decisão foi tomada depois que os Emirados Árabes Unidos, um centro de negócios regional e um dos aliados mais importantes de Washington, criticaram outros países árabes por não fazerem o suficiente para protegê-los dos inúmeros ataques iranianos durante o conflito no Oriente Médio.
Após a saída do Catar, em 2019, e depois a do Equador (2020) e de Angola (2024), o anúncio de Abu Dhabi causou surpresa, embora o país, com intenção de produzir mais, tivesse manifestado suas divergências dentro do grupo nos últimos anos. Contudo, recebeu um tratamento preferencial para aumentar suas cotas de produção acima dos demais.
Os Emirados são um dos países mais atacados pelo Irã em represália pela ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica, iniciada em 28 de fevereiro. O conflito levou o Estreito de Ormuz, por onde costumam transitar 20% dos hidrocarbonetos consumidos em nível mundial, a ficar praticamente fechado. Isto, por sua vez, provocou a disparada dos preços do petróleo.
“Levando em conta a situação atual no Estreito (de Ormuz), os Emirados Árabes Unidos não desejam ser submetidos a cotas quando a situação voltar à normalidade”, disse à AFP uma fonte próxima ao Ministério de Energia.
