O secretário de Estado de Educação de Minas Gerais, Rossieli Soares, foi exonerado do cargo na noite de segunda-feira (27). A saída foi confirmada pelo governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), que informou, por meio de nota oficial, que a decisão ocorreu em alinhamento com o próprio secretário. Segundo a administração estadual, Soares deixará o posto para se dedicar à recuperação de um procedimento cirúrgico realizado em fevereiro, além de priorizar questões pessoais e novos projetos profissionais.
No entanto, a exoneração ocorre em meio a debates sobre a implementação de uma política oficial para escolas cívico-militares em Minas Gerais e denúncias de estabelecimento de contratos com uma empresa suspeita de fraude. Sua permanência na pasta durou cerca de sete meses e foi marcada por disputas políticas e críticas à condução da política educacional.
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Soares estava à frente da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE-MG) desde agosto de 2025, quando assumiu o cargo no governo de Romeu Zema (Novo), substituindo Igor de Alvarenga.
Para assumir a pasta, foi anunciado Gustavo Braga, servidor estadual desde 2013.
Sindicato associa saída a denúncias e privatização
O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) afirmou que a exoneração do secretário ocorre após uma sequência de denúncias relacionadas à condução da educação pública estadual. Em nota, a entidade sustenta que Soares foi contratado para implementar um projeto de privatização das escolas públicas, apontando como exemplo o leilão de 95 escolas estaduais na B3, que passaram à administração vinculada ao banco BTG Pactual.
Para a entidade, a gestão foi marcada por iniciativas de terceirização, plataformização e políticas que transformariam a educação em uma atividade voltada ao lucro. O Sind-UTE/MG também associa a saída do secretário às denúncias recentes envolvendo contratos de aquisição de livros e plataformas educacionais.
Contrato de R$ 348 milhões
Em março, a deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), presidente da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), acionou o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para pedir investigação sobre um contrato firmado pela SEE-MG.
O contrato, de número 9492760/2025, foi assinado em 23 de dezembro de 2025 entre a secretaria e a empresa Fazer Educação Ltda., com valor de R$ 348,4 milhões. O acordo previa a aquisição de acervos bibliográficos para escolas estaduais, incluindo livros didáticos, técnicos e obras gerais.
Segundo a deputada, haveria indícios de irregularidades no processo de contratação que precisariam ser analisados pelos órgãos de controle. A parlamentar questiona os critérios adotados na contratação e a dimensão financeira do contrato.
Contratos e empresa investigada
As denúncias ganharam repercussão após reportagem publicada pelo site The Intercept Brasil. A publicação revelou que, nos últimos três anos, secretarias comandadas por Rossieli Soares firmaram quatro contratos de compra de livros didáticos que somam R$ 848,8 milhões com a mesma empresa, a Fazer Educação.
Segundo a reportagem, a empresa beneficiada pertence ao empresário João Moacir Pereira da Silva Filho, que teria sido indiciado pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul por fraude em licitação e organização criminosa.
Ainda de acordo com o Intercept, a relação entre o ex-secretário e a empresa remonta ao período em que ele ocupou cargos públicos no Pará. Antes de assumir a secretaria mineira, a pasta de educação daquele estado, também sob sua gestão, assinou contratos com a Fazer Educação em 2023 e 2024.
O maior contrato mencionado pela reportagem foi justamente o firmado em Minas Gerais, no valor de R$ 348,4 milhões, assinado em dezembro de 2025, para a compra de aproximadamente 3,5 milhões de livros de matemática, língua portuguesa e conteúdos multidisciplinares.
Até o momento, não há confirmação oficial de investigação criminal envolvendo Rossieli Soares. O governo estadual não relacionou a exoneração às denúncias e reforçou que a saída foi motivada por razões pessoais e de saúde.
