CONTROVÉRSIA

Secretário de educação de MG é exonerado em meio a denúncias envolvendo contratos milionários

Rossieli Soares firmou contratos de compra de livros didáticos que somam R$ 848,8 milhões com empresa suspeita de fraude

No audio source provided.
Soares estava à frente da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE-MG) desde agosto de 2025, quando assumiu o cargo no governo de Romeu Zema (Novo), substituindo Igor de Alvarenga.
Soares estava à frente da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE-MG) desde agosto de 2025, quando assumiu o cargo no governo de Romeu Zema (Novo), substituindo Igor de Alvarenga. | Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasi

O secretário de Estado de Educação de Minas Gerais, Rossieli Soares, foi exonerado do cargo na noite de segunda-feira (27). A saída foi confirmada pelo governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), que informou, por meio de nota oficial, que a decisão ocorreu em alinhamento com o próprio secretário. Segundo a administração estadual, Soares deixará o posto para se dedicar à recuperação de um procedimento cirúrgico realizado em fevereiro, além de priorizar questões pessoais e novos projetos profissionais.

No entanto, a exoneração ocorre em meio a debates sobre a implementação de uma política oficial para escolas cívico-militares em Minas Gerais e denúncias de estabelecimento de contratos com uma empresa suspeita de fraude. Sua permanência na pasta durou cerca de sete meses e foi marcada por disputas políticas e críticas à condução da política educacional.

:: PL de Simões sobre escolas cívico-militares em MG retoma modelo ditatorial, diz especialista ::

Soares estava à frente da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE-MG) desde agosto de 2025, quando assumiu o cargo no governo de Romeu Zema (Novo), substituindo Igor de Alvarenga.

Para assumir a pasta, foi anunciado Gustavo Braga, servidor estadual desde 2013.

Sindicato associa saída a denúncias e privatização

O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) afirmou que a exoneração do secretário ocorre após uma sequência de denúncias relacionadas à condução da educação pública estadual. Em nota, a entidade sustenta que Soares foi contratado para implementar um projeto de privatização das escolas públicas, apontando como exemplo o leilão de 95 escolas estaduais na B3, que passaram à administração vinculada ao banco BTG Pactual.

:: Governo Zema/Simões entrega 95 escolas de MG a fundo ligado ao BTG/Pactual e amplia ‘PPP da Educação’ ::

Para a entidade, a gestão foi marcada por iniciativas de terceirização, plataformização e políticas que transformariam a educação em uma atividade voltada ao lucro. O Sind-UTE/MG também associa a saída do secretário às denúncias recentes envolvendo contratos de aquisição de livros e plataformas educacionais.

Contrato de R$ 348 milhões 

Em março, a deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), presidente da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), acionou o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para pedir investigação sobre um contrato firmado pela SEE-MG.

:: Quase R$ 350 milhões: compras de kits escolares pela gestão Zema em MG pode ter irregularidades ::

O contrato, de número 9492760/2025, foi assinado em 23 de dezembro de 2025 entre a secretaria e a empresa Fazer Educação Ltda., com valor de R$ 348,4 milhões. O acordo previa a aquisição de acervos bibliográficos para escolas estaduais, incluindo livros didáticos, técnicos e obras gerais.

Segundo a deputada, haveria indícios de irregularidades no processo de contratação que precisariam ser analisados pelos órgãos de controle. A parlamentar questiona os critérios adotados na contratação e a dimensão financeira do contrato.

Contratos e empresa investigada

As denúncias ganharam repercussão após reportagem publicada pelo site The Intercept Brasil. A publicação revelou que, nos últimos três anos, secretarias comandadas por Rossieli Soares firmaram quatro contratos de compra de livros didáticos que somam R$ 848,8 milhões com a mesma empresa, a Fazer Educação.

:: Secretário de Educação é responsável por contratos de R$ 850 milhões com empresa suspeita de fraude ::

Segundo a reportagem, a empresa beneficiada pertence ao empresário João Moacir Pereira da Silva Filho, que teria sido indiciado pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul por fraude em licitação e organização criminosa.

Ainda de acordo com o Intercept, a relação entre o ex-secretário e a empresa remonta ao período em que ele ocupou cargos públicos no Pará. Antes de assumir a secretaria mineira, a pasta de educação daquele estado, também sob sua gestão, assinou contratos com a Fazer Educação em 2023 e 2024.

O maior contrato mencionado pela reportagem foi justamente o firmado em Minas Gerais, no valor de R$ 348,4 milhões, assinado em dezembro de 2025, para a compra de aproximadamente 3,5 milhões de livros de matemática, língua portuguesa e conteúdos multidisciplinares.

Até o momento, não há confirmação oficial de investigação criminal envolvendo Rossieli Soares. O governo estadual não relacionou a exoneração às denúncias e reforçou que a saída foi motivada por razões pessoais e de saúde.

Editado por: Ana Carolina Vasconcelos

|

Newsletter