Uma iniciativa para democratizar o acesso e a compreensão da Constituição brasileira sob uma perspectiva feminista e antirracista. Esse foi o mote para a idealização da cartilha em quadrinhos “Gira Jurídica: mulheres refletem sobre a Constituição”, que visita a história dos sete documentos até chegar ao último, de 1988. A HQ foi lançada nesta quarta-feira (29) pelo Coletivo de Mulheres Gira Jurídica em parceria com a Fundação Rosa Luxemburgo.
Christiane Gomes, mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade de São Paulo (USP), integrante do coletivo e representando a Fundação Rosa Luxemburgo, explica como a ideia surgiu a partir de um projeto no Centro Cultural Adebankê, na zona leste de São Paulo (SP), através do Coletivo Pretas Bás, em que as participantes organizaram rodas de conversa sobre a Constituição.
“A nossa ação é marcada pela coletividade, especialmente a ação popular, democrática, de mulheres negras têm aí a sua marca na coletividade. Através dessa ideia que foi trazida pela nossa mais velha, muito importante mencionar aqui, Astrogilda Pereira, uma ativista do movimento negro fundamental que a gente tem aqui que celebrar, incansável na luta de direitos. Ela reuniu uma série de mulheres que começaram nesse quilombo urbano, que é o Centro Cultural Adebankê, a realizar esses encontros, em que a ideia era reunir mulheres, especialmente mulheres negras, jovens, para conversar sobre os direitos da população, sobre a Constituição, porque a gente sabe que esse conjunto de leis às vezes é comunicado de uma forma inacessível para maioria da população”, afirma.
Gomes ressalta que essa é uma estratégia das elites. “Uma estratégia desse poder patriarcal para manter essas populações controladas. Mas somos insurgentes, somos audaciosas, como diria a Carolina de Jesus, e estamos aí sempre promovendo esses debates, promovendo essa ação”, diz.
Christiane Gomes reforça que as leis foram feitas para proteger pessoas que, no final das contas, não protegem. Mas que também, por isso, a resistência a esse estado de coisas acabou sendo forjada por essas pessoas. “A população negra brasileira, especialmente as mulheres, nunca aceitaram essa condição de subalternidade que insiste em colocar e insistem também em invisibilizar as nossas lutas, as nossas ações insurgentes, insubmissas e rebeldes.”
Para ela, a cartilha responde também a isso. “A cartilha também traz isso de uma forma direta, resgatando de uma forma muito bacana os princípios da educação popular, onde a gente pode comunicar de uma forma direta e acessível”, afirma.
O download gratuito do livro está disponível no site da Fundação Rosa Luxemburgo.
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