'narrativa política'

China acusa EUA de fabricar mentiras para justificar ‘bloqueio selvagem’ contra Cuba e exige fim imediato

Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, afirmou que cooperação entre Pequim e Havana é transparente

Cuba bloqueio combustível crise energética
Mural com a palavra “bloqueio” aparece diante de tanques de armazenamento de combustível na zona industrial de Matanzas, em Cuba, em 31 de março de 2026 | Crédito: Yamil Lage/AFP

A chancelaria chinesa respondeu, nesta quarta-feira (29), às declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que afirmou que Cuba permitiria atividades de inteligência de países considerados adversários de Washington próximas ao território estadunidense. Em coletiva de imprensa realizada em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, rejeitou as acusações e defendeu a cooperação com Havana como “totalmente transparente”.

“Inventar desculpas e difundir desinformação não justifica o bloqueio selvagem nem as sanções ilegais dos Estados Unidos contra Cuba, nem oculta o fato de que os Estados Unidos violaram gravemente os direitos de Cuba à sobrevivência e ao desenvolvimento e infringiram as normas básicas das relações internacionais”, afirmou Lin Jian.

Ele acrescentou que as acusações feitas por Washington não têm base. Segundo o porta-voz, trata-se de uma narrativa política que busca sustentar medidas já criticadas internacionalmente. “A cooperação da China com Cuba é totalmente transparente”, declarou.

Lin Jian também reforçou o posicionamento de Pequim em defesa de Havana e fez um apelo direto a Washington. “Exortamos os Estados Unidos a pôr fim de imediato ao bloqueio e às sanções ilegais contra Cuba, assim como a qualquer forma de coação e pressão”, disse.

O bloqueio econômico contra Cuba permanece em vigor há mais de seis décadas e é condenado todos os anos pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Nas votações mais recentes, a ampla maioria dos Estados-membros voltou a defender o fim da medida, enquanto Estados Unidos e Israel mantêm posição contrária. Diversos países e especialistas em direito internacional afirmam que o impacto das sanções recai diretamente sobre a população civil cubana, com o bloqueio sendo frequentemente descrito como uma forma de punição coletiva e incompatível com princípios da Carta das Nações Unidas.

Nesse cenário, a China mantém sua oposição às sanções unilaterais de Washington e reforça o apoio a Cuba, defendendo o respeito à soberania e ao direito ao desenvolvimento do país caribenho.

Marco Rubio acusa Cuba de supostas atividades de inteligência com adversários dos Estados Unidos

Em declarações recentes e posicionamentos anteriores sobre Cuba, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, tem acusado Havana de permitir a presença de estruturas de inteligência de países considerados adversários de Washington no território cubano. Em uma entrevista à Fox News, Rubio afirmou que não seria tolerada a atuação de “qualquer aparato militar, de inteligência ou de segurança estrangeiro” a cerca de 90 milhas da costa dos Estados Unidos, em referência direta à ilha caribenha.

O secretário também vem sustentando que a presença de atores estrangeiros em Cuba representa uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos, em um contexto mais amplo de endurecimento da política de Washington em relação à ilha. Em falas recentes, Rubio reforçou que a administração estadunidense não aceitará “operações de inteligência com impunidade” na região e tem defendido maior vigilância sobre atividades de países rivais no Caribe.

As acusações, no entanto, são rejeitadas por Pequim, que classificou as declarações como infundadas e reiterou que a cooperação entre China e Cuba é “totalmente transparente”, além de exigir o fim imediato do bloqueio econômico e das sanções contra Havana.

Cooperação com Cuba inclui energia solar, alimentos e ajuda emergencial

Em meio aos apagões, à escassez de alimentos e ao agravamento da crise econômica em Cuba, a China intensificou nos últimos meses o envio de ajuda ao país caribenho.

Em janeiro, Pequim anunciou US$ 80 milhões em ajuda emergencial voltada principalmente à recuperação do sistema elétrico cubano, além da doação de 60 mil toneladas de arroz para fortalecer o abastecimento interno.

Na área energética, a parceria tem avançado com o envio de equipamentos fotovoltaicos e kits solares destinados a hospitais, policlínicas e comunidades afetadas pelos cortes de energia. A meta é reduzir os impactos imediatos dos apagões e ampliar a capacidade de geração elétrica do país.

Com financiamento e tecnologia chinesa, Cuba também incorporou mais de 1.000 megawatts de energia solar no último ano e conectou 49 novos parques solares à rede nacional, em uma tentativa de diminuir a dependência de combustíveis importados e enfrentar a vulnerabilidade do sistema energético.

Editado por: Thaís Ferraz

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