EUA x CHINA

‘Distorção dos fatos’: China rebate alegações estadunidenses sobre Panamá

Porta-voz Lin Jian acusa Washington de 'fingir inocência' e instrumentalizar soberania panamenha

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Contêineres no porto de Balboa, na Cidade do Panamá, em 9 de abril de 2026.
Contêineres no porto de Balboa, na Cidade do Panamá, em 9 de abril de 2026 | Crédito: Martin Bernetti/AFP/BaronImagens/João Valério/Geraldo Bubniak/AEN/Divulgação

As alegações dos Estados Unidos sobre questões portuárias do Panamá são “completamente infundadas e uma distorção dos fatos”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, nesta quarta-feira (29), em Pequim.

Lin acusou Washington de politizar e tentar tornar as questões portuárias da região em um problema de segurança. Também disse que os EUA “fingem inocência enquanto espalham rumores e difamações”.

Campanha dos EUA contra a China

A resposta chinesa veio um dia após a divulgação, em 28 de abril, de uma declaração conjunta assinada pelos governos dos Estados Unidos, Bolívia, Costa Rica, Guiana, Paraguai e Trinidad e Tobago (todos países alinhados atualmente aos norte-americanos), que afirmam monitorar “de perto” o que classificam como “pressão econômica direcionada” da China sobre o Panamá, além de ações que teriam afetado embarcações de bandeira panamenha.

O documento, publicado pelo Departamento de Estado estadunidense, caracteriza a conduta chinesa como “tentativa flagrante de politizar o comércio marítimo” e uma ameaça à soberania dos países do hemisfério. Vale notar que todos os cinco países latino-americanos signatários são governados por administrações de direita ou centro-direita.

Rubio divulgou a declaração nas redes sociais com a mensagem: “A soberania do nosso hemisfério não é negociável. Estamos profundamente preocupados com a pressão econômica direcionada da China após a decisão sobre os terminais de Balboa e Cristóbal. Nos solidarizamos com o Panamá. Qualquer tentativa de minar a soberania panamenha é uma ameaça a todos nós”.

O secretário de Estado se refere à decisão da Suprema Corte do Panamá sobre os terminais portuários de Balboa e Cristóbal, operados por décadas pela empresa de Hong Kong CK Hutchison.

Em janeiro deste ano, a Suprema Corte do Panamá declarou inconstitucionais os contratos sob os quais a Panama Ports Company (subsidiária da hongkongnesa) operava os terminais de Balboa e Cristóbal desde 1997, após a Controladoria-Geral do país apontar irregularidades e perdas ao erário.

A operação do Balboa foi transferido para a APM Terminals, subsidiária da dinamarquesa Maersk, e Cristóbal para a Terminal Investment Limited, ligada ao grupo suíço MSC.

Após a decisão judicial, os Estados Unidos afirmam ter observado detenções, atrasos e outros impedimentos ao movimento de embarcações com bandeira panamenha, o que, segundo Washington, ameaça cadeias de abastecimento globais e a estabilidade do comércio internacional.

Segundo o Lloyd’s List, jornal britânico dedicado ao setor marítimo, entre 8 e 12 de março, 28 navios de bandeira panamenha foram detidos em portos chineses por deficiências de segurança, o que representou 75,7% do total de embarcações estrangeiras detidas no período.

Em 10 de março, a gigante estatal chinesa Cosco e sua subsidiária OOCL suspenderam todos os serviços no Porto de Balboa. Estimativas da corretora chinesa Huanan Yongchang Securities apontam perdas de US$ 1,8 milhão por dia em taxas de registro de bandeira e de US$ 800 mil diários em pedágios do Canal.

O presidente panamenho, José Raúl Mulino, afirmou que as inspeções são uma “questão técnica”, observando que outras grandes frotas de bandeira de conveniência, como a da Libéria e das Ilhas Marshall, também enfrentam tendências semelhantes, e que a maioria dos navios inspecionados sequer pertence a proprietários panamenhos, apenas ostenta a bandeira do país.

O presidente reconheceu, porém, que o volume de inspeções é incomum, e declarou não ter “intenção de gerar atrito com a China“.

Editado por: Thaís Ferraz

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