LUTA POR DIREITOS

Mobilizações de 1º de maio em MG destacam fim da escala 6×1 e redução da jornada

Atos em mais de 10 cidades mineiras articulam pressão sobre o Congresso por direitos trabalhistas e qualidade de vida

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Em Belo Horizonte, a programação do 1º de maio prevê concentração na Praça Raul Soares, a partir das 9h
Em Belo Horizonte, a programação do 1º de maio prevê concentração na Praça Raul Soares, a partir das 9h | Crédito: José Cruz/Agência Brasil

Centrais sindicais, movimentos populares e organizações de trabalhadores promovem, ao longo desta semana e no feriado do Dia do Trabalhador (1º de maio), uma série de mobilizações em diferentes cidades de Minas Gerais. As manifestações têm como principal eixo a luta pelo fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho sem diminuição salarial, pauta que ganhou força nacional após o envio de um projeto de lei ao Congresso Nacional pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os atos estão previstos para acontecer entre os dias 29 e 30 de abril, com centralidade no dia 1º, estendendo-se ao dia 3 de maio, com atividades em Belo Horizonte, Betim, Uberlândia, Juiz de Fora, Montes Claros, Uberaba, Ouro Preto, Divinópolis, Ribeirão das Neves, Araguari, Pedro Leopoldo e Ituiutaba, entre outras. Em algumas cidades, a programação inclui passeatas, atividades culturais, debates públicos e celebrações voltadas ao Dia do Trabalhador.

Na capital, as manifestações do dia 1º serão realizadas às  9h, na Praça Raul Soares, e às 9h, na Quadra da Ocupação Paulo Freire, Distrito Industrial do Jatobá.

Redução da escala é por saúde e acesso a direitos

As organizações envolvidas defendem que o atual modelo de jornada, amplamente adotado em setores como comércio, restaurantes, recepção, serviços e indústria, compromete a saúde física e mental da população trabalhadora, reduz o convívio familiar e dificulta o acesso ao lazer, à formação e ao descanso.

A mobilização ocorre em meio ao avanço do debate legislativo sobre a jornada de trabalho no país. Em 14 de abril, Lula encaminhou ao Congresso o Projeto de Lei (PL) 1.838/2026, que prevê o fim da escala 6×1. A proposta tramita em regime de urgência, o que obriga a análise em até 45 dias. Paralelamente, propostas de Emenda à Constituição discutem a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas ao longo de uma década e até a adoção de uma semana de quatro dias.

Embora tratem de temas semelhantes, os projetos seguem ritos diferentes. Projetos de lei exigem maioria simples para aprovação, com quórum mínimo e 257 votos favoráveis na Câmara dos Deputados. Já propostas de emenda constitucional demandam um caminho mais longo e apoio qualificado, com 308 votos na Câmara e 49 no Senado.

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Para os organizadores, a presença nas ruas é vista como parte de uma estratégia de pressão política. Integrante do movimento Vida Além do Trabalho (VAT), Lucas Sidrach afirma que o número de atos espalhados pelo estado demonstra crescimento da adesão ao tema.

“As manifestações mostram que a sociedade organizada consegue não só ocupar as ruas, mas demonstrar uma pressão necessária em um Congresso que busca desarticular avanços para a classe trabalhadora”, afirma.

Segundo ele, Minas Gerais deve concentrar mais de 10 mobilizações ao longo da semana, incluindo ações em cidades do interior, o que sinaliza maior capilaridade do debate. Sidrach aponta que a pauta tem mobilizado especialmente mulheres e jovens, grupos que, segundo ele, convivem com impactos mais severos da jornada extensa.

“Os relatos que mais chegam para nós são principalmente de mulheres, que enfrentam a dupla jornada. Elas falam sobre a dificuldade de exercer a maternidade, cuidar da casa e ainda lidar com o desgaste do trabalho”, diz.

Ele também relata que jovens trabalhadores têm demonstrado frustração diante da falta de tempo para estudo, lazer e desenvolvimento profissional. 

“Há pessoas que não conseguem participar de festas da família, praticar religião ou simplesmente descansar”, afirma.

Além das experiências individuais, os movimentos relacionam a discussão sobre jornada de trabalho ao aumento dos casos de adoecimento mental. A defesa da redução da carga horária aparece associada à tentativa de reduzir situações de burnout, afastamentos e sobrecarga emocional.

Para Jairo Nogueira Filho, presidente da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT-MG), o 1º de maio resgata a origem histórica da luta por direitos trabalhistas.

“O 1º de maio tem importância, porque remete à luta pela redução da jornada de trabalho. Estamos retomando esse debate no Brasil, buscando diminuir a carga horária e garantir vida além do trabalho”, afirma.

Ele argumenta que a escala 6×1 restringe o tempo livre e dificulta a construção de projetos pessoais. 

“As pessoas precisam ter lazer, estudar, conviver e fazer escolhas sobre a própria vida”, diz.

Além da pauta sobre jornada, as manifestações também devem incorporar outros temas relacionados às condições de trabalho e direitos sociais, como feminicídio, terceirização, pejotização e defesa da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Atividades

Em Belo Horizonte, a programação do 1º de maio prevê concentração na Praça Raul Soares, a partir das 9h, com atividades culturais, espaço para crianças e passeata até a Praça da Estação. O encerramento deve ocorrer na região do Viaduto Santa Tereza, com participação no tradicional Samba do Arco.

Valéria Morato, presidenta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Minas Gerais (CTB-MG), avalia que o momento político amplia a relevância das mobilizações.

“A luta pela redução da jornada é histórica e ganha ainda mais força porque o projeto está em tramitação no Congresso. A mobilização fará diferença nesse processo”, afirma.

Segundo ela, o objetivo também é demonstrar aos parlamentares que o tema mobiliza diferentes categorias profissionais. 

“Esperamos que os deputados entendam que esse projeto é essencial para a classe trabalhadora e que estaremos acompanhando o voto de cada um”, diz.

Morato destaca que a escala 6×1 afeta trabalhadores de diferentes setores, incluindo metalúrgicos, comerciários e professores. Para ela, o excesso de trabalho gera desgaste contínuo e compromete o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Além das pautas nacionais, movimentos mineiros pretendem inserir reivindicações locais durante os atos. Entre elas, estão críticas à política econômica, debate sobre juros e questionamentos à ampliação de privatizações em Minas Gerais.

Agenda das mobilizações em Minas Gerais:

29 de abril

Pedro Leopoldo — 16h — Rodoviária
Belo Horizonte — 16h30 — Praça Sete

30 de abril

Betim — 17h — Praça Tiradentes

1º de maio

Belo Horizonte — 9h — Praça Raul Soares

Belo Horizonte — 9h — Quadra da Ocupação Paulo Freire, Distrito Industrial do Jatobá

Uberlândia — 8h — Praça Simone da Silva

Juiz de Fora — 9h — Praça Deputado Clodesmidt Riani (Largo do Riachuelo)

Montes Claros — 8h — Praça Dr. Carlos

Uberaba — 9h — Praça Dr. Jorge Frange

Araguari — 15h — Praça do Skate (Miranda)

Ouro Preto — 9h — Largo do Cinema até Praça Tiradentes

Divinópolis — 9h — Praça Central

Ribeirão das Neves — 9h — em frente ao Supermercado Novo Horizonte, bairro Veneza

3 de maio

Ituiutaba — 9h — Feira da Junqueira

Editado por: Ana Carolina Vasconcelos

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