Guerra energética

Ofensiva contra portos russos ameaça abastecimento global de petróleo, diz analista

Ataques ucranianos a terminais estratégicos podem reduzir exportações russas e pressionar preços no mercado global

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Imagem de satélite em 29 de abril de 2026 mostra uma coluna de fumaça subindo da refinaria de petróleo de Tuapse, no porto russo de Tuapse, sudoeste da Rússia, em 28 de abril de 2026.
Imagem de satélite em 29 de abril de 2026 mostra uma coluna de fumaça subindo da refinaria de petróleo de Tuapse, no porto russo de Tuapse, sudoeste da Rússia, em 28 de abril de 2026 | Crédito: Planet Labs PBC/AFP

Ataques de drones ucranianos a terminais de exportação de petróleo na Rússia podem reduzir a produção do país e pressionar preços no mercado global. É o que avalia Igor Ushkov, analista-chefe do Fundo Nacional de Segurança Energética da Rússia. “Se não conseguirmos exportar plenamente o nosso petróleo, teremos que reduzir o volume de produção”, afirmou Ushkov ao Brasil de Fato. “E isso acontece justamente quando os preços globais estão elevados, ou seja, perdemos a chance de colocar mais petróleo no mercado.”

O mais recente ataque ocorreu na madrugada desta quarta-feira (29), na cidade de Perm, e provocou um incêndio de grandes proporções na estação de produção e distribuição de petróleo da Transneft. A estação é um centro estratégico importante no principal sistema de transporte de petróleo da Rússia e distribui o combustível em quatro direções, incluindo para a Refinaria de Petróleo de Perm. Segundo relatos, quase todos os tanques de armazenamento ficaram em chamas.

Somente em abril, Tuapse — cidade portuária russa — sofreu três ataques. As ofensivas já causaram grandes incêndios e derramamentos de óleo no Mar Negro. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que os bombardeios atingiram instalações de armazenamento de petróleo destinado à exportação. “A Ucrânia também está provocando instabilidade nesses mercados [globais]”, disse. O presidente russo, Vladimir Putin, classificou os ataques como uma séria ameaça ambiental.

Além do impacto direto sobre a Rússia, as ofensivas podem afetar o Cazaquistão. O país envia mais de 10 milhões de toneladas de petróleo ao sistema da Transneft, que escoa o produto para os mares Báltico e Negro — além do Consórcio do Oleoduto do Cáspio, que opera de forma separada. “Agora também pode haver menos petróleo russo, e até do Cazaquistão. Com isso, o mercado global perde petróleo russo, já perdeu parte do petróleo do Oriente Médio e pode perder também volumes do Cazaquistão. Isso cria um déficit adicional e pressiona os preços para cima no mercado internacional”, afirma Ushkov.

O analista ressalta, no entanto, que os efeitos ainda são limitados em termos estruturais. “Esses ataques são importantes, mas localizados. Eles pressionam a oferta e os preços, mas não mudam, por si só, a estrutura do mercado global”, afirma. O cenário se soma à escassez de petróleo do Oriente Médio em meio às tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, no conflito entre EUA e Irã.

Nesta quarta-feira o Kremlin também anunciou que as comemorações do Dia da Vitória, em 9 de maio, ocorrerão em formato reduzido, sem veículos e armamentos militares pesados — decisão justificada por razões de segurança.

Editado por: Thaís Ferraz

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