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Senado dos EUA bloqueia limitação a possíveis ataques de Trump contra Cuba

Proposta argumentava que as medidas dos EUA para impedir o envio de combustível à ilha constituem um ato militar

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Senador Adam Schiff, da Califórnia, junto a outros senadores democratas dos EUA
Senador Adam Schiff, da Califórnia, junto a outros senadores democratas dos EUA | Crédito: Anna Moneymaker/AFP

O Senado dos Estados Unidos bloqueou novamente uma resolução que buscava limitar a capacidade do presidente Donald Trump de tomar ações militares contra Cuba sem a aprovação do Congresso. Se tivesse sido aprovada, a resolução exigiria que Trump encerrasse o bloqueio energético sobre Cuba, a menos que tivesse a aprovação do Congresso.

A iniciativa, promovida pelos senadores democratas Tim Kaine (Virginia), Rubén Gallego (Arizona) e Adam Schiff (Califórnia), foi apresentada na terça-feira (28), argumentando que as medidas dos EUA para impedir o envio de combustível à ilha constituem, na prática, um ato militar.

“Se alguém fizesse aos Estados Unidos o que estamos fazendo a Cuba, sem dúvida consideraríamos um ato de guerra”, afirmou Kaine minutos antes da votação. Ele acrescentou que o bloqueio econômico imposto por Washington gerou “crises humanitárias em toda Cuba”, afetando a saúde e a alimentação da população.

Diante da proposta, os republicanos, liderados pelo senador Rick Scott (Flórida), um dos principais defensores da linha dura contra Cuba, apresentaram uma moção para rejeitar a resolução. Scott argumentou que a iniciativa democrata não era apropriada, pois os EUA não estão envolvidos em hostilidades abertas com a ilha e Trump não confirmou explicitamente planos de enviar tropas americanas ao território cubano.

Com isso, a resolução foi bloqueada com 51 votos a favor e 47 contra. Os votos se alinharam em grande parte segundo as linhas partidárias, com exceções semelhantes às observadas em votações anteriores sobre o Irã: os senadores republicanos Susan Collins (Maine) e Rand Paul (Kentucky) votaram com os democratas, enquanto o senador democrata John Fetterman (Pensilvânia) apoiou os republicanos.

Isso reforça que, apesar da queda na aprovação de Trump entre os eleitores, das sérias dificuldades econômicas enfrentadas pelo país e do crescente descontentamento gerado pela guerra contra o Irã — que até provocou divisões dentro do movimento “Make America Great Again —, o Partido Republicano continua apoiando Trump.

Após a votação, Rick Scott compartilhou nas redes sociais um trecho de uma entrevista do secretário de Estado, Marco Rubio, afirmando que os Estados Unidos devem trabalhar para que “o regime” de Cuba caia e que o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, deveria ser processado.

“Se queremos uma reforma real em Cuba, o ilegítimo regime de Castro/Díaz-Canel deve cair. O regime merece estar na prisão por seus crimes atrozes”, declarou Scott em sua conta no X.

A votação sobre Cuba se insere em uma série de tentativas fracassadas do Congresso de limitar a capacidade do presidente de mobilizar forças militares, incluindo cinco votações sobre o Irã e várias sobre a Venezuela.

Ameaças contra Cuba

A Casa Branca deixou transparecer um possível ataque militar contra Cuba. Enquanto se desenvolvem conversas diplomáticas entre os dois países, o presidente Trump reiterou a possibilidade de uma intervenção na ilha. Recentemente, afirmou que sua administração poderia “se concentrar em Cuba” assim que a guerra com o Irã terminasse. “É possível que façamos uma escala em Cuba quando terminarmos com isso”, declarou.

Por sua vez, o governo cubano lançou, em 19 de abril, uma campanha nacional de coleta de assinaturas em defesa de sua “vocação irrenunciável pela paz”.

“Cuba não representa uma ameaça à segurança dos Estados Unidos. Os EUA sempre desempenharam o papel de potência agressora, e Cuba, o de ilha atacada. Portanto, sempre tivemos que nos preparar para o perigo iminente de agressão militar, que se manifestou em diferentes níveis, sob governos estadunidenses distintos e em diferentes momentos do contexto internacional e regional”, afirmou o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, em sua última entrevista publicada pela Opera Mundi.

Além disso, na segunda-feira (27), o Comando Sul dos Estados Unidos iniciou os exercícios militares “Flex2026” em áreas marítimas próximas a Cuba, na costa de Cayo Hueso, na Flórida. A operação combina inteligência artificial, sistemas não tripulados e forças navais tradicionais e, segundo o comando militar estadunidense, busca testar novas capacidades para “contrapor redes narcoterroristas” e ampliar a vigilância em amplas regiões marítimas.

Editado por: Rafaella Coury

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