IMUNIZAÇÃO

Baixa vacinação infantil preocupa BH: cobertura é de 14%; veja como se vacinar

‘Desinformação faz famílias evitarem vacina segura e essencial’, aponta profissional de saúde

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VACINAÇÃO
De um total estimado de 123 mil crianças nessa faixa etária, apenas cerca de 18 mil receberam a dose | Crédito: Rodrigo Clemente/PBH

A capital mineira enfrenta um cenário preocupante na saúde pública. A cobertura vacinal contra a gripe em crianças de seis meses a menores de seis anos atingiu apenas 14% do público-alvo. Esse é um índice considerado alarmante, que expõe a fragilidade das políticas de imunização e os impactos da desinformação. Diante da baixa adesão, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) reforça a importância da vacinação, mas especialistas apontam para desafios estruturais que vão além do apelo à conscientização.

De um total estimado de 123 mil crianças nessa faixa etária, apenas cerca de 18 mil receberam a dose. A situação se repete em outros grupos prioritários, como gestantes, com 22% de cobertura, e idosos, com 35%. A subsecretária de Promoção e Vigilância à Saúde, Thaysa Drummond, em nota, ressaltou a importância da imunização para prevenir o agravamento da doença, especialmente em crianças, que são mais suscetíveis a complicações da gripe.

Desinformação e barreiras de acesso

A enfermeira do Sistema Único de Saúde (SUS) Sofia Barbosa, em entrevista ao Brasil de Fato MG, detalha os fatores que contribuem para essa baixa adesão. Ela aponta para um cenário complexo que envolve desinformação, notícias falsas e dificuldades de acesso aos serviços de saúde.

“A baixa adesão à vacinação contra a gripe entre crianças pequenas na capital e no restante do estado pode ser atribuída a vários fatores. Um dos fatores é a desinformação. Muitas famílias desconhecem a necessidade da vacinação anual contra a gripe. Exames são realizados para detectar a presença de diversos vírus respiratórios, e as vacinas são atualizadas anualmente para combater os vírus em maior circulação. No entanto, muitas famílias acreditam que, se a criança já foi vacinada uma vez, não há necessidade de uma nova dose”, explica.

Além da falta de conhecimento sobre a necessidade da dose anual, a enfermeira destaca o papel prejudicial das fake news. 

“Outro fator fundamental são as notícias falsas. Há uma grande disseminação de informações falsas sobre os efeitos colaterais das vacinas, o que impacta na hesitação vacinal em geral, incluindo a vacina contra a gripe. Muitas famílias evitam a vacina por acreditar que ela é perigosa ou que pode causar efeitos colaterais graves, embora a vacina contra a gripe seja muito segura e geralmente cause apenas dor no local da aplicação, sem efeitos colaterais significativos”, analisa.

Barbosa também aponta para as barreiras práticas que impedem as famílias de vacinar seus filhos. 

“O acesso das famílias às unidades de saúde é um desafio. As unidades de saúde geralmente funcionam em horário comercial, o que dificulta para muitas famílias levarem as crianças para vacinar durante a semana. Mesmo em dias de campanha específicos, como o ‘Dia D’, a adesão de crianças foi muito baixa. Encontrar um horário na rotina diária para levar a criança para vacinar é uma dificuldade para as famílias”, continua a enfermeira.

Um alerta para a saúde pública

Os baixos índices de vacinação representam um risco iminente para a saúde pública, especialmente em um período de sazonalidade de doenças respiratórias. Sofia Barbosa é categórica ao alertar sobre as consequências.

“Os riscos para a saúde pública e para as crianças, diante de uma cobertura vacinal de apenas 14% neste grupo etário, são significativos. Durante o período de sazonalidade das doenças respiratórias, que é a época mais fria do ano, há uma alta transmissão da síndrome gripal”, afirma. 

Ela explica que, embora a maioria das pessoas se recupere bem da gripe, crianças, por terem um sistema imunológico mais imaturo, estão no grupo de risco para desenvolver a síndrome respiratória aguda grave.

“Anualmente, nesse período, observa-se um aumento significativo no número de crianças internadas em UTIs, com pneumonia e outras complicações respiratórias desencadeadas pela síndrome gripal. Além disso, há um risco maior de agravamento de doenças crônicas preexistentes em crianças”, alerta Barbosa. 

A vacina, segundo ela, é fundamental para proteger não apenas os indivíduos, mas toda a coletividade. Ela ajuda a reduzir a transmissão e o risco de agravamento da doença.

‘É preciso combater as notícias falsas relacionadas à vacinação’

Diante desse quadro, a enfermeira Sofia Barbosa sugere estratégias que o poder público e os profissionais de saúde podem adotar para reverter a baixa adesão e garantir a proteção das crianças.

“É fundamental que informações claras sobre a necessidade e os benefícios das vacinas para as crianças circulem amplamente. Além disso, é preciso combater as notícias falsas relacionadas à vacinação”, defende. 

Ela também propõe a vacinação nas escolas e creches. Essa é uma estratégia que já é anualmente adotada pelo Ministério da Saúde para a atualização do cartão de vacinação de todas as crianças e adolescentes, mas que requer articulação com as secretarias de educação e autorização dos pais.

Outra medida crucial seria a ampliação do horário de funcionamento das unidades de saúde. “Estender o horário de funcionamento das unidades de saúde, como já ocorre em Belo Horizonte, até 19h, e oferecer mais dias de vacinação aos sábados, pode facilitar o acesso para pessoas que têm dificuldade de procurar a unidade em horários comerciais”, conclui a profissional de saúde. 

Editado por: Ana Carolina Vasconcelos

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